Monday, December 22, 2008

Chico Mendes: um mártir brasileiro

Nesta segunda-feira completou 20 anos do assassinato do seringueiro Chico Mendes. Justamente no ano em que Darly Alves da Silva, o mandante do crime, foi libertado e passou a cumprir o restante da pena em liberdade. 

A "Folha de São Paulo" trouxe hoje uma matéria super bacana de Matheus Pichonelli e João Carlos Magalhães, sobre a vida de uma das filhas de Chico Mendes que toca uma ONG de preservação da reserva que leva o nome do pai.  Para endossar o coro, o "The Guardian" britânico trouxe uma matéria em que chama o líder seringueiro de "Che Guevara da era ambiental". 

Chico Mendes é um dos poucos mártires do Brasil. Infelizmente sua morte não serviu de exemplo para o fim dos conflitos entre ambientalistas e fazendeiros nas áreas de proteção ambiental do país. Tivemos Dorothy Stang e, segundo o "The Guardian" e a "Pastoral da Terra", outras 260 pessoas estão sob ameaça de morte semelhante nessas áreas. 

O grupo mexicano "Maná" fez uma música em homenagem a Chico Mendes. A canção se chama "Cuando los angeles lloran" (Quando os anjos choram). Embora tenha um erro histórico de aleijar, quando fala que "a polícia e o presidente Collor" sabiam das ameaças ao seringueiro (o presidente na época era o Sarney), a música é bem legal e mostra a repercussão da luta de Chico Mendes, que não é estudado nas escolas brasileiras.  

Além do choro, tem uma música que o Paul McCartney fez em homenagem ao seringueiro, lá pelos idos de 1989. Só gostaria de ter a certeza que em 2009 não choraremos novos anjos, entre tantos Chicos de codinome Mendes. 

Ah, tem o link da matéria na Folha: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2212200812.htm

E de um comentário da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no mesmo jornal:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2212200806.htm

Maná - "Cuando los ángeles lloran"

Paul McCartney - "How many people"

Wednesday, December 17, 2008

Crise em debate

A coisa que mais me diverte nesses tempos, digamos, estranhos, são os debates entre economistas sobre o futuro diante da crise financeira. Alguns programas de tv e rádio juntam celebridades do mercado e da academia para promover discussões impagáveis sobre o futuro do Brasil e do mundo. Quando se trata de fazer projeções para 2009 ainda melhor. É um festival de chutômetro sensacional. 

Sabe, essas mesas parecem com outras as mesas, justamente aquelas que se multiplicam na tv aos domingos. Cinco economistas juntos, hoje em dia, equivalem ao programa do Milton Neves. Junte-se a eles um cientista político e um jornalista de economia e a merda tá feita! Os dois personagens equivalem ao especialista em arbitragem e ao repórter que esteve no treino da manhã.  Eles ficam horas debatendo o sexo dos anjos. Termos como "pode ser que", "acho", "talvez sim, talvez não", "se o Meirelles y ou x" são usados aos montes. 

Vez por outra, inventam de talhar alguns termos, achando que são o Armando Nogueira dos números. Hoje ouvi de um deles um tal de "New Deal Black", ao falar da "esperança Obama" e compará-lo a Roosevelt. As bolhas se multiplicam aos borbotões, começando pelo "subprime", que já ganhou várias versões brasileiras, até os camelôs, que nada tem a ver com a história, mas são convocados para as discussões como exemplos de informalidade que prejudicará as contas públicas. É como se tivessem falando da Democracia Corinthiana ou da parceria Palmeiras Parmalat. 

Claro que ninguém exige que os caras sejam videntes, o que enquadraria as projeções em profecias. De qualquer forma, esses pilantras são os mesmos que administram nosso dinheiro, bancos, empregos, fundos de investimentos, empresas, etc. Espera-se que eles tenham o mínimo de certeza para que tenhamos um norte.  Mas sabem tanto quanto a dona-de-casa do Grajaú. Tomo aqui a liberdade de cunhar alguns apelidos para, principalmente, os amigos jornalistas:

Miriam Leitão, a Marília Ruiz do futebol de números.
Ela pensa que é gostosa, pensa que dá "furo", pensa que é influente. Ambas são feias, dizem o óbvio pra lá de ululante, não podem ver um jogador de futebol ou ministro que já elevam a adrenalina. Pensam que a crônica esportivo-econômica não seria nada sem ou antes delas. Pensam que pautam a imprensa, mas na prática só arrumam umas discussões tolas e desnecessárias com um integrante do governo ou técnico idiota e mal assessorado, como Emerson Leão. 

Gustavo Franco, economista e ex-presidente do BC - É o Caio Júnior do mercado. 
Dizem que é brilhante, dizem que é intelectual. Já dirigiu o BC ou o Flamengo, mas em ambos só fizeram merda na última passagem. 

Joelmir Betting, o Armando Nogueira dos números.
Ambos brilhantes. Mas o primeiro esqueceram de enterrar e o segundo não fazia merchan de bancos...

Luiz Carlos Bresser Pereira, o Joel Santana da teoria econômica. 
Dirigiu o Flamengo, o Fluminense e o Vasco. O que esperar de alguém que era ministro do Sarney e tem esses clubes no histórico?

Carlos Alberto Sardemberg, o  Chico Lang dos debates.
O negócio dele é o "Curintia" e os juros. Sabe polemizar apenas nesses dois pontos. 

Luiz Gonzaga Belluzo, o Antonio Lopes dos juros. 
Gente de esquerda! Boa traJetória. Mas ninguém lembra das façanhas no Corinthians, só as merdas que fez no Vasco e no Ministério da Fazenda do governo Sarney. 

Suely Caldas, do Estadão, a João Havelange de saias.
Alguém pode enterrar essas múmias, por gentileza?!

Delfim Netto, o Nabi Abi Chedid das finanças. 
A anta do Abi Chedid não se comparava ao brilhantismo do professor Delfim. Apesar de tirar só nota dez na FEA, foi amigo da Ditadura e apóia quem estiver na crista da onda. É desse jeito que Chedid se perpetuou na seleção e Delfim amigo dos "homi", sejam fardados ou engravatados. Frase preferida: "Esse negócio de fazer o bolo crescer e repartir é coisa de time comunista!".

Clóvis Rossi, o Juca Kfouri da crônica política-econômica. 
Pertencente à velha guarda do Jornalismo, é do tipo de profissional que já não se fabrica mais. Ranzinza, chato, tem opiniões deveras atrasadas e sempre evoca o bastião da objetividade jornalística quando são contestados com provas veementes. Faço questão de ler os dois todos os dias, mas sempre com aquela vontade de, invariavelmente, soltar um sonoro palavrão. Para eles, Antonio Palocci está para Ricardo Teixeira, assim como a "CPI da Nike" está para o "Escândalo do caseiro", e vice-versa. É indispensável ler, mas impossível não se aborrecer.

Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central, o Nelsinho Batista das crises.
Foi contratado para tirar o país e o Corinthians do sufoco. Inventou uma tal de "banda diagonal endógena", que até hoje ninguém entendeu. Não durou nem um mês no cargo, mas foi tempo suficiente para o dólar ir lá em cima e o Corinthians lá pra baixo. 

Gustavo Loyola, ex-titular do BC, o próprio Eurico Miranda.
A crise do Vasco tem nome e a crise cambial do Brasil sobrenome.  Plantaram o que colheram!

Rubens Ricupero, a encarnação do técnico Cuca.
A antena parabólica foi a salvação do Ministério da Fazenda. A tecnologia ainda ajudou na hora da demissão. Ambos demitidos por telefone! 

Celso Ming, o Valdir Espinosa da crônica.
Alguém lembra que o Valdir Espinosa é técnico ou escreve em jornais?

Armínio Fraga, o Muricy Ramalho. 
É bom no que faz, mas só durou tanto tempo no cargo porque é amigo de gente graúda, como Soros. Devia se aposentar antes que ainda sobre tempo pra faturar algum escrevendo livros de "liderança e sucesso". 

Pedro Malan, o estrategista Luxemburgo.
Vende a alma pro diabo e comia as manicures do Planalto, arrotando de bom profissional. O negócio dele agora é ser cartola do mundo financeiro, essa coisa de técnico é coisa de Meirelles! 

Henrique Cecília Meirelles e Guido Mantega, a própria dupla Zagallo e Parreira.
Para eles a melhor defesa é a defesa mesmo! É a economia de resultados e os juros altos a qualquer custo. Time que ganha é o que defende mais das bolas! Resta saber quem é o ativo e o passivo...

Essa é a casta de gente que anda comentando a crise. Faltou uma porrada deles, já que até o Ronaldo Fenômeno acha que tem algum coisa para falar sobre o mundo financeiro. Esse que voz fala e escreve, por exemplo, poderia ser enquadrado na condição de "leitor-corneteiro". Mas o futebol, tal qual a economia, é uma caixinha de bobagens! 

Aproveito para um vídeo de reflexão sobre debates:


Tuesday, December 16, 2008

O olhar do próximo

No último dia da aula de inglês poucas pessoas apareceram. Éramos apenas cinco em sala de aula e trocamos os dizeres gringos por fatos cotidianos das nossas vidas, ditos no português mais claro possível. Dividindo a sala de aula todas as terças e quintas-feiras, pouco conhecemos sobre as pessoas que esboçam as primeiras palavras em língua estrangeira ao nosso lado.

Nesse dia parece que todos precisavam soltar os adjetivos engasgados na garganta durante o ano. As pessoas soltaram o verbo e foi uma experiência que se aproximou de uma terapia grupal ou de um encontro dos Alcoólatras  Anônimos. Uma das moças era psicóloga e disse uma frase típica de sessões de terapia: "a gente pode passar a vida inteira em função do olhar do próximo, sem viver a nossa própria vida". Em qualquer outro dia acharia que era mais uma das frases prontas dos inúmeros consultórios da cidade. Mas naquela quinta-feira a frase ecoou, pois vinha de uma mulher que lamentava sinceramente os próprios problemas familiares. Tipo terapia da psicóloga, saca?

Agora, passadas mais de seis horas da manhã sem o sono dar as caras, cheguei a duas conclusões: acho que em 2008 envelheci uns trinta anos em função desse olhar terceirizado.  Quando se convive em círculos intelectuais, projetamos um personagem ideal e passamos a encená-lo involuntariamente. Alguns passam a vida sustentando-o, outros desistem da farsa no meio do caminho, enquanto outros tantos são simplesmente descobertos e taxados de "duas caras" ou "farsante", o que não deixa de ser verdade. 

Mas o algoz também figura como coro da ópera bufa, justamente ocupando o posto de acusador. Ele usa uma máscara preta, que lhe encobre o rosto, enquanto ajusta a corda da forca e dá o sinal da execução. 

A segunda conclusão é a de que nunca mais gasto um tostão em psicólogos. Se eles não conseguem resolver os próprios problemas, como irão nos ajudar com os nossos?

Monday, December 15, 2008

Legendas


"Ele usa Vulcabras e não tem chulé", diz irmã do jornalista que jogou sapato no presidente Bush.

O poder da propaganda


Olha, não sei a opinião dos endividados leitores, mas enquanto os jornais e revistas gastam caminhões de papel para falar sobre os efeitos da crise, há quem acredite que ela realmente não exista. Pelo menos dois brasileiros compartilham essa opinião: Arnaldo José da Silva, autor do outdoor acima, e Luiz Inácio Lula da Silva, por acaso nosso presidente. A dúvida é: em quem acreditar de fato?!

Friday, December 12, 2008

Recordações


Viajar é melhor coisa que alguém pode fazer para a própria existência. É de fato uma renovação espiritual. No início do ano fui para Porto Seguro e, ao invés de ficar no circuito "férias de formatura", curtindo as praias badaladas, passei os dias nas areias de Arraial D'Ajuda. Sorte minha. Visitei praias belíssimas. 

Como ainda não tenho uma máquina fotográfica, resta-me registrar essas viagens com o celular mesmo. Só que, para quem não sabe, sou o ser mais tapado do universo. Alguns podem perceber isso pelos erros de português, que por essas bandas existem aos borbotões. Já os colegas que fiz no Arraial perceberam minha deficiência quando me viram correndo atrás da mala que fora tragada pelas águas de Caraíva.  A cena foi meio pastelão. As ondas molharam todas as minhas coisas, incluindo cartão do bando e celular. Com isso, todas as lembranças da viagem para a Bahia tinham sido danificadas. 

Mas essa semana consegui resgatar algumas fotos, justamente as que tinham ficado no chip do celular. Na verdade só me importava com uma dessas fotos apenas. Era justamente a mais bela, que resumia toda a viagem. Foi tirada numa praia semi-deserta. Apenas um casal compartilhava as areias naquele momento comigo. Foram algumas horas de sintonia total com a natureza. 

Esses momentos resultaram na foto acima. Não parece, mas foi eu mesmo quem tirou e, acreditem, de um celular. Mais fotos no "Flickr": http://www.flickr.com/photos/27306709@N08/

Thursday, December 04, 2008

Dom Inácio Quixote De La Mancha

Lula se comparou nesta quinta-feira, 04, ao lendário personagem de Miguel de Cervantes, Dom Quixote De La Mancha. Tal qual o cavaleiro, Lula se sente "solitário, pregando o otimismo". Mas, se Lula é Dom Quixote, quem é o seu escudeiro Sancho Pança?

A - Dilma Rousseff
B - Sérgio Cabral
C - Tarso Genro
D - Rafael Correa

Tuesday, December 02, 2008

Veterano

Nunca pensei que usaria a palavra tão cedo. Mas diante dos fatos, eis que ela veio no domingo. Depois de um quarto de século de idade, vinte anos ininterruptos de bancos escolares, resolvi voltar para o início: o Vestibular. Mas essa ainda não é palavra...

Diante da sala lotada de vestibulandos, rememorei os tempos de cursinho. Olhando pro lado, uma molecada que mal tinha completado 17 anos. Foi aí que ela veio. A palavra. Velho, essa sim.

Ufa! A sensação de ser um "titio", num lugar com trezentas cabeças me deu calafrios e quase levantei antes do início da prova. Seria até melhor, pois o meu despreparo me angustiou quase quanto a palavra. Foi o dia de lembrar. Lembrar do conteúdo, lembrar que nada daquilo importa de verdade. Lembranças, essas coisas que a gente tira da memória, são boas vez por outra.

Vez por outra é bom lembrar também que " o ESSENCIAL é invisível aos olhos". Ser um veterano no meio de novatos pode ser bom. Pode ser bom também mudar a vida de jornalista, que não me parece tão promissora. A palavra "velho" me veio de novo. Dessa vez pra dizer, "antes tarde do que nunca..."

Ouro de tolo

Voltar do trabalho é sempre um barato. Depois de um dia inteiro na labuta, o ato de dirigir-se à residência é sagrado, quase celestial... Na última sexta-feira, como todos os outros dias, coloquei o fone de ouvido e rumei em direção à Pinheiros. Com trilha sonora, tudo fica ainda mais prazeroso, divertido. De Barueri até a civilização real, contei com a carona de um colega. Nos fones, MPB, Samba, Chico Buarque, Zeca Baleiro, Tom Jobim - mas na voz de Gal Costa.

A carona me despejou nas proximidades da Barra Funda. Até em casa, bastavam mais poucos minutos de ônibus. Caminhando, ia até o viaduto Pacaembú, onde subiria no "cata louco", que finalmente me levaria até o sagrado lar... Mas no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma arma no meio do caminho. Uma não, duas. Ou melhor, quatro.

A música que tocava era "Bastidores", do Chico... "Chorei, chorei... até ficar com dó de mim...". Antes que Francisco Buarque pudesse terminar a frase, fui surpreendido na Rua do Bosque por quatro assaltantes, dois deles armados. Foi assim, quase como um tiro. Rápido, indolor. Quando percebi, lá estavam eles. Ao meu redor, exigindo tudo.

O que pensar nessa hora? Nada! Não dá tempo... Em menos de um minuto já estava sem pertences, memória, dignidade. Restava o choque, o medo, a desolação. A dor do cano da arma ainda me dói na nuca. O cano frio foi o máximo da sensação de morte que me aproximei.

Entrei na Record, antiga labuta, tomei uma água e peguei um táxi. Chegando em casa "Chorei, Chorei... até ficar com dó de mim". Não porque me levaram uma mochila, um celular e duas revistas semanais. As lágrimas eram pelas conquistas quase perdidas, os sonhos quase acabados, as reclamações desnecessárias. No futebol e na vida, o "se" ou "quase" são "se" e "quase". Na vida, servem para poluir nossa mente de pensamentos ruins. Se o bando descobrisse que na mochila cobiçada tinha apenas um punhado de letras, certamente o fim seria outro. Pensei na minha mãe e namorada, deitadas sob um caixão, derramando lágrimas de dor por um gesto desnecessários que tivesse feito.

Felizmente nada aconteceu. Estou aqui, vivo. Vários pensamentos passaram pela minha cabeça desde então. Serviram pra me bagunçar ainda mais a vida. Foi a primeira vez que tive realmente a noção da efemeridade de existir. Se houvesse tempo, a próxima música do fone seria Raul Seixas, "Ouro de tolo".

Friday, November 28, 2008

Legenda


"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
((Antoine de Saint-Exupéry, em "O Pequeno Caloteiro ))

Thursday, November 27, 2008

O passado "negro" de Barack Obama

Homenagem do leitor C. Quero.

Thursday, November 20, 2008

Obamania: minorias étnicas saem do armário

Olha, minha gente. Nada contra as minorias étnicas ou sexuais. Mas depois que o Obama ganhou as eleições, um incrível fenômeno acontece. A eleição do havaiano estimulou as minorias a saírem do armário. A última é esse convite que recebi de uma amiga armênia. Com todo o respeito a ela, que é uma menina muito legal, mas a moça resolveu fazer uma festa misturando "tudo que é sucesso em países que estão fora da Otan e do G8". Isso quer dizer o seguinte: vai tocar músicas egípcias, islandesas e salvadorenhas. Quer dizer também que a entrada dos turcos está liberada e que a Armênia também produz música, ao contrário do que você e eu imaginávamos.


Batchik Ballo

Em armênio, Batchik significa beijo. Ballo, em italiano é baile. Baile do beijo, do abraço, da celebração da boa música. A idéia por trás dessa festa é reunir na mesma pista pessoas ávidas por dançar, independente do que explode na caixa de som. Armênia e Itália são os países de onde vieram as famílias de Mayra Maldjian e Luiz Pattoli, idealizadores e DJs residentes da festa. Esse encontro singular de origens resulta num case abarrotado de músicas dançantes de (muitas vezes) inimagináveis partes do mundo. Nessa mistura entra tudo que é sucesso em países que estão fora da Otan e do G8. Bhangra, árabe, gypsy, salsa, cumbia, reggaeton, funk carioca, rap, reggae, dub, kuduro, afrobeat e qualquer outra música pop do "terceiro mundo" inspiram edições temáticas ou musicalmente promíscuas da festa. Ritmos locais com temperos mundiais. Ou seria o contrário?
Batchik Ballo @ Drops Bar
Dia 20/11, a partir das 20h
$10 entrada ou $15 de consumação
DROPS
Rua dos Ingleses 182 - bela vista ,
tel.: 2503-4486

Wednesday, November 19, 2008

Joga merda no Gilmar...


Agora que Daniel Dantas está enroladíssimo com a operação Satiagraha e o juiz Fausto de Sanctis, a revista “Carta Capital” resolveu deixar o “orelhudo” de lado e achou uma nova vítima: o ministro Gilmar Mendes. Não sei onde vai parar essa briga de foice, mas quero deixar meus votos para que o circo pegue mais fogo! Tudo bem que Carta Capital sofra do mal do presidente Lula, o exagero. Mas cá pra nós, esse Gilmar Mendes é um porco, né não? Com todo respeito aos suínos, quero discorrer mais futuramente sobre as atrocidades do ministro do STF nesse espaço, antes que ele resolva me proibir de alguma coisa. Esse é só um registro de que nesse espaço o juridiota é inimputável. Se por acaso o sr estiver lendo essas linhas entre uma e outra decisão do Supremo, ministro, saiba que em qualquer país do mundo v. Ex. não passaria de escrivão da Polícia Ambiental!

"Arrufos": uma aventura na Vila Maria Zélia


Imagine uma vila operária do começo do século. Ruas estreitas, casas de pé-direito baixo, muitas árvores, famílias sentadas no portão. Na praça principal adolescentes conversam em grupos, rodeados de crianças menores que correm de um lado para o outro, às vezes de bicicleta ou skate, falando alto e rindo. No centro da praça uma igrejinha. Bem em frente dela o coreto, que fica ao lado do parque, que fica por sua vez em frente à administração. A botica, ou farmácia, como chama hoje, fica atrás da igreja, justamente para atrair os compradores depois na saída da missa. Um cenário típico de interior, mas que ainda existe dentro de São Paulo.

Sábado fui até lá com a patroa para assistir o espetáculo "Arrufos", do Grupo XIX de Teatro. O grupo se apresenta em uma comunidade esquecida pelo tempo. É a Vila Maria Zélia, que fica no Belém. O lugar é simplesmente a primeira vila operária do Brasil. Inspirada nas vilas inglesas do início do século XIX, a Vila Maria Zélia foi construída a mando do industrial Jorge Street, que era dono da Cia. Nacional de Tecidos da Juta. A intenção dele era manter os funcionários por perto, para não ter atrasos. Hoje o prédio da fábrica abriga a Goodyear, mas a antiga vila luta contra o tempo para não desaparecer.

Acostumado à praticidade do círculo cultural Centro-Paulista-Augusta, quando saí de casa para ver “Arrufos” a primeira que me veio a cabeça foi reclamar da distância. “Por que esses atores malucos inventam de se apresentarem no fim do mundo?”. Ao cruzar a cancela que divide São Paulo da vila operária é fácil descobrir. O local é simplesmente fascinante e empresta todo o seu glamour a peça. Ouvi muitos elogios sobre o espetáculo antes de assistir, mas creio que muito do que as pessoas falam é justamente por causa da maravilhosa sensação de dar de frente com um lugar que nós, paulistanos da gema, só conseguimos ver nos filmes ou nas longas viagens de fim de ano.

É engraçado reparar que todo mundo que foi ver a peça teve a mesma sensação. As pessoas andavam pelas ruas estreitas da vila admiradas com a sobrevivência daquele espaço, com vontade de adquirir um pedaço do lugar para criar os filhos. A peça “Arrufos” acontece no prédio onde era a antiga botica, hoje revertido em espaço cultural. A mágica do espetáculo é que o grupo XIX conseguiu transformar o local em um lugar “aconchegante”, onde o público é parte fundamental da encenação.

O cenário de fora da sala ajuda a preparar o espírito do público para o espetáculo. Ao entrar na “botica”, temos uma arena toda decorada com abajures, onde os participantes sentam de dois em dois, separados justamente pelos corta-luzes. O enredo de “Arrufos” são os amores. Os que deram certo, os esquecidos, os passageiros, mas, sobretudo, os não ditos, perdidos e confundidos. O amor apenas. Dolorosos e doídos. Flamejantes e oprimidos. Renegados e retribuídos.

Algumas passagens são muitíssimo interessantes. Embora um espetáculo otimista em relação a amar, lembro de uma das falas do médico-personagem, onde ele confessa que “amar é a capacidade incrível de perceber virtudes no amado que ele não tem...” É genial! Ou ainda sobre como o cinema, a ficção , que nos presenteia com modelos de casais que pouco fazem sentido real, mas que pautam o desejo das pessoas. Essas que esperam a vida inteira por um “Happy End” Sebastianista.

Confesso que o texto de “Arrufos” está abaixo do que esperei sobre as discussões do amar. Faltou-lhe profundidade e maturidade para entrar em temas que permeiam o inconsciente do agente do amor e seu objeto de idolatria. O ponto positivo é que a qualidade do elenco, misturada a mágica dos adereços e a composição de cena, dão o equilíbrio linear à trama. Traduzindo em palavras de verdade: do caralho! (risos. Esse e o parágrafo do tucanês)

Saia de casa para assistir “Arrufos”. Você certamente ficará como eu, com a sensação de idiota por ter ignorado tanto tempo a existência de um lugar tão bacana. Um outro mundo, com certeza. O local, a peça, a companhia ao seu lado. Foi um sábado tão perfeito que um dos namorados da platéia resolveu pedir a companheira em casamento ali mesmo, ao final do espetáculo. Todas as mulheres ficaram com cara de inveja, pois gostariam de receber a mesma surpresa. Da minha parte, fiquei puto com o papelão do cara! Não pelo pedido público de casamento, que foi muito criativo, aliás, mas por me obriga a pensar num jeito ainda mais romântico de pedir a Fabiana em casamento daqui um tempo! Tô lascado...

Bom, pra encerrar, coloco dois vídeos no final. Um é da própria peça, “Arrufos”. O outro é de um documentário muito mal feito por estudantes da Metodista sobre a Vila Maria Zélia. Ambos os vídeos tem a qualidade técnica horrível. Mas acho que é uma forma de despertar em vocês a vontade de assistir e conhecer o local. Sorte!


Sobre a peça:




Sobre a Vila:




A vila também tem site: http://www.vilamariazelia.com.br/

Tuesday, November 18, 2008

MSN, Maconha e Suco de Milho Verde

Já que eu comecei a falar do CQC, o Top 3 desta semana também trouxe o professor Pierluigi Piazzi, com o qual trabalhei na Rádio Eldorado, fazendo uma cruzada contra o MSN na Tv Gazeta, do prof. Erasmo Nuzzi. 

Só pra constar, o professor Pierluigi anda tomando muito suco de milho antes de participar de programas de rádio e tv. Na Eldorado ele chegava pra gravar os programas trazendo um garrafa de suco de milho acoplada à mochila. Distribuía o suco na redação, beiçava uns goles e partia para o estúdio, onde falava mais de uma hora sem parar, sobre uma porção de bobagens de informática.  

Foi fazer isso na tv, acabou virando motivo de chacota. Agora quero ver limpar a barra com os maconheiros lá da redação...  Avisei várias vezes ao professor que o suco de milho misturado com pamonha ainda seria o fracasso da vida dele... Antes de sair da rádio ele ainda me alertou: "Cuidado com o MSN, ele é um vício!". Pensei que fosse brincadeira, mas não era...


N-Idéias no CQC: o negócio é zoar os caras

O N-Idéias está em festa. Nosso blog atingiu o cume da popularidade. Essa semana dois dos assuntos abordados por esse espaço entraram para o "Top Five" do programa CQC, da TV Bandeirantes. Acreditem. Foi das mãos deste que vos escreve que saiu as duas infames notas que dominaram o ranking de assuntos inúteis do CQC. Não é uma bosta? 

O problema é só um: o meu chefe. Ele é mais doido do que eu e qualquer coisa que eu sugiro ele compra. De mulher pelada a chamar o Obama de "negão" em rede nacional, vale tudo. Segundo ele, vamos "zoando os caras" até a Justiça mandar parar. Nossa próxima vítima é o Gilmar Mendes, que anda cantando muito de galo. 

As entidades de direito dos anões e dos presidentes americanos negros não tinham acionado a Redetv até agora, porque ninguém assiste aos nossos programas. Mas o CQC assiste e gosta do nosso trabalho. Será que com a "forcinha", finalmente tiram nosso programa do ar?


Wednesday, November 12, 2008

Anunciando e jogando...

Minha gente, a tira aí em cima é um pretexto para eu anunciar a minha mais nova aquisição: comprei um videogame. Pois é, apesar do momento difícil da economia mundial, resolvi importar um game de alta tecnologia que ainda nem sei mexer. Amanhã vou escrever um tratado sobre o que significa essa mudança pra mim. Agora, fiquem a pensar com uma tirinha que já dá o tom da mudança...

Friday, November 07, 2008

"Gigantes" do Ringue

Ok, Ok. Você pode me chamar de tonto e dizer que eu cheguei ao fundo do poço. Pode me chamar de idiota e dizer que esse blog é uma bosta (o que é um orgulho!). Mas depois de ver o nosso presidente discursando sobre sutiã, o Gilmar Mendes proibindo a Polícia Federal de batizar as operações contra os crimes de colarinho branco e o Obama dando uma de "Jacaré", soltando a franga na televisão, a semana tinha que acabar com uma boa notícia.

Um empresário da Austrália, espécie de Oscar Maroni gringo, resolveu faturar uma grana e lançou uma genial competição de boxe de anões... Pois é, você pode até ter visto essa notícia por aí. Mas o que você não viu, e vai ver agora, é que lá na Oceania a modalidade é tão, ou mais famosa, que o nosso "Gigantes do Ringue". A novidade da disputa pelo "cinturão" da categoria "peso-levíssimo", ou "peso-anão", é que os golpes baixos são permitidos e legítimos! (nossa, piada péssima!)




Confira o vídeo:

Barack Obama: o negão do "abuse e use"

Ele já foi comparado a celebridades como Martin Luther King, Bin Laden e até ao Dadá Maravilha. Mas nesse vídeo do "The Ellen DeGeneres Show", programa de auditório americano do tipo "SuperPop", Barack Obama é, sem dúvida, o irmão mais velho do "Negão do Abuse e Use", o saudoso Sebastian. Ele andava sumido do vídeo, mas agora já se sabe que trocou as propagandas da "C&A" para ser presidente dos EUA, sem direito a liquidação de bancos e hipotecas no final de ano!

Boris Ieltsin, dono da "lambada presidencial" mais famosa do mundo, deve estar puto da vida nesse momento, seja onde estiver, pois até agora não descobri se bêbados vão pro céu ou para o inferno!

Wednesday, November 05, 2008

"Deixa o Obama trabalhar"


Finalmente algum candidato apoiado por esse blog venceu alguma coisa. Depois de Marta, Gabeira e João do Grito (candidato a síndico do meu condomínio que foi derrotado), eis que Barack Hussein Obama é eleito presidente da maior Disneylândia do mundo, os Estados Unidos. Tudo bem que, com a crise, a Disney americana está com mais cara de “Beto Carreiro World” do que propriamente de “Mickey’s House”. De qualquer forma, fica aí a comparação grotesca entre o país de Britney Spears, Paris Hilton, Madonna e a inesquecível Sarah Pallin e o fantástico mundo encantado de “Valdisney World”.

Comemoro a vitória de Barack Obama não por ele ser negro, afrodescendente, afro-americano, portador de cor desprivilegiada, etc... Comemoro pelo fato da minha maré de má sorte ter ido embora! Eu já me sentia um Ricardo Noblat dos blogs, de tanto pé frio...

Acho que as eleições nos EUA já estavam chatas. Ninguém agüentava mais as piadas sobre as pernas e o QI de ameba da Sarah Palin, com a deficiência do John McCain e a cara de terrorista do vencedor no escrutínio. Outra coisa: o marqueteiro de Obama certamente é amigo íntimo de Duda Mendonça. Era tudo igual: “a esperança vai vencer o medo”, “a Av. Paulista de Chicago com mais de um milhão de pessoas”, “o corte de impostos”, “a geração de empregos”...

Meu Deus, as eleições no ex-país mais rico do mundo parecia a disputa entre Lula e Serra! Tanto que o Serra deles, o John McCain, fez de tudo para esconder o Bush, que corresponde ao nosso FHC. Ambos deixaram o cargo mais impopulares que as piadas do Beguocci ou do Joselito!

Fato é que o pleito “estadunidense”, como gosta de dizer o Aldo Rebelo e a professora Maria Aparecida Aquino, é repleto de simbologia popular, como a eleição do metalúrgico barbudo. Assim como fiz em 2002, fiquei até as quatro da manhã na frente da tv acompanhando os discursos americanos. Segurei as lágrimas porque elas já tinham se esgotado naquela época. De qualquer forma, o discurso de Obama foi bem mais realista do que os anseios dos eleitores. Sem muitos sorrisos como na campanha, mais realista e sensato, Obama sabe que a tarefa que vem por aí é duríssima. A parte mais “fácil” era essa, agora é reverter votos em capital político para as mudanças necessárias e não muito populares.

O novo presidente já disse ontem que essas transformações não têm data nem hora para acontecer. Mas graças a Deus chegaram. Tudo tem um começo. Em 2012 veremos mais uma vez o “negão” pedindo votos. Aposto no slogan “Obama de novo, com a força do povo”. Duvida? É barbada!

As eleições nos Estados Unidos foram melhores que o Brasil de 2002 por apenas um aspecto: os americanos estão mais atentos às mudanças de discurso do novo mandatário e sabem que eleição e ação são diferentes. Ninguém poderá acusar Obama de “estelionato eleitoral”, “traidor” e tudo mais que Lula ouviu no Brasil ao se candidatar a reeleição.

Obama e Lula são símbolos de um mundo que pede mudanças. Mudanças pacíficas através do voto, sem guerra, sem traumas. A América do Norte foi a última grande nação democrática a passar por isso, fenômeno visto no Brasil, Venezuela, Bolívia, entre outros “hermanos” da triste, mas esperançosa, América Latina.

Agora é “deixar o homem trabalhar” e torcer para que programas como “Bolsa Família”, “Fome Zero” e “PAC” emplaquem lá, como cá. Se a crise deixar, teremos o metalúrgico e o negão substituídos por outra novidade: uma mulher. Se for para vencer preconceitos, aproveitemos a onda. Nada seria mais justo que as mulheres tomassem o poder depois que o pobre e negro fizeram suas partes. Nesse ponto, sou mais Dilma que Sarah Palin ou Hillary Clinton.