Saturday, June 28, 2008

Quem te viu...

A Globo reclama de programas como "Pânico", "Show do Tom" e "CGC", que tiram o maior sarro do seu elenco e programação. Acontece que a mãe desses programas de hoje foi a própria Globo, que nos anos 80 e 90 investia em humor de verdade com a turma da "TV Pirata". Mas claro que, mesmo naquela época, as piadas da TV Pirata estavam há anos luzes das piadas da turma de hoje.

Descobri esses dias esse vídeo que é uma sátira do "A Praça é Nossa", do SBT. Só que nesse caso, a emissora em voga era chamada de "Sistema Vagabundo de Televisão". Reparem no personagem da Débora Bloch, tratando as piadas retardadas do humorístico da tv de Silvio Santos.
É, a Vênus Pratinada já teve seus dias de politicamente incorreta. Quem te viu, quem te vê...

Dez anos de Central do Brasil

1998 é um ano para se esquecer. Foi o ano em que o Brasil quebrou e o governo fez a farra com a venda das estatais, enquanto o então presidente da República, FHC, chamava trabalhadores de vagabundos por se aposentarem antes dos 50 anos. Coincidência ou não, o mesmo presidente fora reeleito no mês de outubro.

Mas 98 também foi um ano importante para o cinema brasileiro. Em dezembro daquele ano o filme “Central do Brasil” ganhava os leões de ouro e prata no Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha. Foi também o ano que o filme “O que é isso companheiro?” foi indicado ao Oscar e não ganhou. Mas fiquemos aqui apenas na efeméride de 10 anos do prêmio de Central do Brasil, que é o que interessa.

O prêmio ganho pelo filme de Walter Salles foi o pontapé que faltava para oxigenar a produção de cinema brasileira, que vinha engatinhando depois dos anos de suplício e derrocada pós-cinema novo e pós-governo Collor. Sensível e realista, hoje o filme com Fernanda Montenegro (que ganhou o leão de melhor atriz naquele mesmo festival) é tratado por muitos como “retrato da tragédia brasileira”. As pessoas que não gostam do filme calçam suas críticas naquela velha história de que a produção só mostra o lado triste do Brasil, com suas tragédias sociais. Ora, num país quebrado, estagnado economicamente, sofrendo de uma crise (a primeira em dez anos) de dengue em vários estados e com vários cidadãos desempregados, “Central do Brasil” era um filme para afundar ainda mais a moral do Brasil e dos brasileiros. Muito além disso, serviu para elevar a sensibilidade dos brasileiros para a infância desgarrada e sem perspectiva.

A história da inescrupulosa Dora, que escrevia cartas na estação Central do Brasil, no Rio, aproveitando-se do analfabetismo das pessoas e da ingenuidade delas diante da selva de pedras sensibilizou o mundo e nos fez crer que mudanças eram possíveis.

No site oficial do filme, a personagem de Fernanda Montenegro é grafada como “uma camelô de sessenta e poucos anos que luta para sobreviver no Brasil do "real””. A sinopse diz ainda que “Dora optou pela malandragem como forma de sobrevivência e não se arrepende disso”. O encontro da velha senhora que tirava dinheiro de gente humilde com o garoto Josué (Vinicius de Oliveira), menino sem família e sem história, é o reflexo de Dora e de muitos brasileiros que naquele 1998 tentavam sobreviver num Brasil em crise.

Misturar a história de um filme de “ficção” com a realidade é muito complicado e até pra mim às vezes parece uma bobagem, por mais verossímil que seja o ficcional, como em “Central...”. Mas coincidência ou não, a história de transformação da velha Dora nos fez sobreviver àquela enxurrada de problemas e crer num país e numa vida melhor. Tanto que sobrevivemos. Chegamos até aqui, dez anos depois.

No meio do caminho tivemos maturidade de escolher um presidente que foi alfabetizado depois dos 16 anos e que até então era dito como “de esquerda”. O Brasil de hoje é mais sensível nas discussões sobre Educação, Infância e perspectivas para os jovens. Evoluímos, embora as questões éticas ainda nos incomodem tanto.

É óbvio que Central do Brasil não foi o responsável por essas transformações, mas certamente foi um tempero adicional. A película de Walter Salles pode ser considerada divisora de águas para o cinema, que desde então recebeu mais investimentos e credibilidade. Graças aos prêmios em Berlim, o mundo voltou seus olhos para esse país de dimensões continentais que até então só gerara escândalos.

Hoje Lula é chamado de “novo magnata do petróleo” e já se discute crescimento sustentado para o país. Faturamos recentemente mais um prêmio de cinema no Festival de Cannes, com a atriz Sandra Corveloni, e voltamos a conquistar Berlim com o filme Tropa de Elite no ano passado. Além disso, tivemos novamente na Cerimônia do Oscar com Cidade de Deus, que conquistou inéditas quatro indicações de uma só vez. Walter Salles, Fernando Meirelles e Babenco tornaram-se diretores internacionais e são queridinhos da indústria de cinema mundial. No currículo desses diretores brasileiros sucessos como Diário de Motocicleta , Jardineiro Fiel e O Passado encantaram platéias por todo o mundo.

Central do Brasil abriu as portas da produção artística de qualidade no cinema nacional. O problema da violência discutido nos filmes Cidade de Deus (de Fernando Meirelles) e Tropa de Elite (de José Padilha) são reflexo do sucesso do filme de Salles. Depois de “Central...” outros filmes corajosos mostraram a tragédia da infância e da juventude brasileiras, como Anjos do Sol e Meu nome não é Johnny.

Além disso, atingimos um patamar de excelência em que ótimos filmes como Estômago, Corpo e Cheiro do Ralo, de roteiros ousados e até um pouco truncados, fora do esquema “realidade ficcionada”, fomos capazes de produzir.

Dez anos depois, “Central do Brasil” tem que ser lembrado como o começo disso tudo. Em outras épocas, roteiros como o dos últimos filmes citados apodreceriam nas filas de captação e incentivo cultural.

“Meu passado me condena – muito”

Sabe aqueles dias que você não quer pensar em nada, o que você faz? Bom, eu vou para a frente da televisão e lá passo a vegetar em frente a telejornais bizarros, novelas idiotas e seriados para quem tem QI de ameba excepcional. Isso é o que eu faço. Mas tem gente, como o cantor, brigão, vereador e boiola, Agnaldo Timóteo que prefere ir a programas de televisão. E é aí que eu queria chegar!

Semana passada estava num desses dias de anti-pensador e assistia às gargalhadas o programa CQC, um puta besteirol engraçado e bem sacado. Aí eles exibiam um top-five das bizarrices da semana da televisão. Para o meu espanto, o cantor supra-citado acima foi lá na Record, uma emissora de TV evangélica dizer que dava o cu quando era pequeno. Diante de tamanha barbaridade, cabe a mim dar a essa celebridade baitola o título da semana de “Meu Passado me Condena”, com o adendo de “muito”. Com vocês, sras, srs e indefinidos, Agnaldo Timóteo: o personagem da semana em “Meu passado me condena – muito”.

Bochechar, nem morto!

“Se usar Listerine, não dirija!” Essa será a nova campanha de prevenção de acidentes de trânsito que o Denatran deve lançar nos próximos dias. Com intenção de endurecer a legislação contra os beberrões de plantão, agora o teste do bafômetro é capaz de detectar até mesmo o uso do anticéptico bucal. Pois é, aquela bochechadinha básica antes da balada e antes de beijar na boca está fora de cogitação, mermão. A indústria de balinhas contra o mau hálito deve estar pulando de alegria, já que as vendas desses acessórios nas casas noturnas são bastante promissoras para os próximos dias, graças à nova legislação de trânsito!

E tem mais, se você costuma visitar a vovó aos domingos, cuidado! Aquele inocente bombom de licor que a nona costumava a oferecer depois do almoço também estão com dias contados, camarada. Se você não quiser ser pego no teste do bafômetro, é melhor começar a pedir à vovó que pare com as bebidas na hora de cozinhar. Até as receitas da Ana Maria Braga que usam cerveja, vinho e aguardente na carne assada estão com os dias contados, amigas e donas de casa!
Para os pitboys, a dica é que se cuidem senão tu podes perder a carteira de motorista e também aquela namorada gostosa que arranjastes na micareta, pois ela se interessou mais pelo seu carro que pela sua inteligência e formosura!

Pelo andar da carruagem e o avanço da tecnologia, teremos até o bafômetro de pensamento. Aquele que você é pego na dosagem alcoólica até mesmo se pensar em beber. Sabe aquelas horas que você está preso no trânsito, numa sexta-feira quente de verão, imaginando chegar em casa e tomar uma cervejinha no bar da esquina da sua rua? Pois é. Pode esquecer. Melhor mesmo é pensar só depois que o carro estiver na garagem, devidamente protegido dos fiscais de trânsito.
Em tempo, é a melhor solução pra você, pra mim e para a minha família, que não tem nada a ver com a sua cervejinha e o único pecado que cometeu foi ter tido um filho que atravessava a rua enquanto você dirigia embriagado! Abaixo o Listerine!

Thursday, June 26, 2008

O futuro chegou

“Virá um mundo em que todos que são bonitos serão suspeitos. E os talentosos. E quem tiver personalidade”. A voz estava rouca. “A senhora não entende? A beleza será um insulto. O Talento , uma provocação. E a personalidade, um atentado!... Por que agora virão eles,de todos os lados, vão aparecer, centenas de milhares, e mais. Em todo lugar. Os feios. Os medíocres. Os sem personalidade. E vão despejar ácidos sulfúrico nos belos. Vão pichar e caluniar o talento. Vão enfiar uma faca no coração de quem tiver personalidade. Já chegaram... E serão cada vez mais, Cuidado!...”

(Sándor Márai, do livro De verdade)

Tuesday, June 24, 2008

O mesmo clube, o mesmo choro...

Já viu torcida que chora mais? É sempre assim, acho que eles às vezes protestam para lembrar que protestam... manja aquela história do "bebo pra esquecer que bebo?".

Comigo não, jaburu!

Embora esse blog seja exclusivamente para assuntos masculinos e, conseqüentemente, pertinentes, gostaria de fazer um adendo sobre a Semana de Moda de São Paulo, a tal da SP Fashion Week.

Admito publicamente que já fui a um desfile no ano passado e, pior, gostei!

Pois é... admito que gostei e voltaria novamente para ver aquele desfile de mulheres bonitas dentro e fora do "backstage" da Maria Bonita, uma das mais badaladas grifes que, pelo nome, deve ser brasileira. Só não me pergunte do que é e onde vendem as roupas dessa esposa do Lampião...

Antes que você comece a me chamar de bicha, pederasta ou pense "Bem que eu desconfiei que ele gostava de lingüiça", fazendo juízo de valor do pobre repórter que vos escreve, já aviso: fui lá exclusivamente à trabalho e não sou namorado de nenhum costureiro famoso! (ufa!)

Todos os pontos pontuados gostaria de ir adiante à reflexão, por favor. O motivo deste post é justamente comentar sobre o assunto da semana de moda: o peladão do desfile da Rosa Chá, mais uma gripe com nome nonsense.

Pra você que é mais desavisado e não é amigo da Glória Kalil (que odeia ser chamada de Glórinha, tá bi?!) um Zé Mané de um costureiro resolver iniciar o desfile da moda de praia da grife com um mano de bunda de fora e tomando banho na frente de todo mundo.

O caso causou o maior frisson entre minas e meio-manos que acompanhavam o início do desfile. O que se viu depois do peladão foi um festival de homens semi nus... uma loucura! E é aí que eu gostaria de chegar, fofa!

O tal do costureiro da Rosa Chá colocou um modelo pelado em cena só para fazer sombra ao festival de boiolagem que veio a seguir: um monte de macho com sungas e shortinhos que nem a minha irmã mais nova usaria na praia! Um absurdo! (ui!) Tanto que resolvi colocar uma foto de um desses novos “modelito” aqui no blog (acima), só para você ter a noção do que os seus amigos vão usar daqui pra frente!

Um primo meu do interior (desculpa de quem não quer falar que tá de namorado) me enviou um link com as fotos das “novas tendências para o verão brasileiro”. O dia que eu usar um coisa dessas, me capem por favor. Com certeza eu não precisarei mais da minha tromba dianteira depois disso!

No email do meu primo (que prefere não ter o nome identificado, coisa de veado!) ele diz o seguinte: “Primão (pra mostrar que é machão), minha namorada (na verdade é o namorado que cursa moda) achou essas roupas lindas e disse que em menos de um ano todo mundo vai usar esses novos modelos de sunga... O que faremos?!”

Ao meu primo eu respondo: “Eu não uso um desse nem fodendo!”(ai!)
Todas as considerações postas, chego numa conclusão: depois do processo de RHtização social do mundo (onde tudo é dito e feito de acordo com os gurus do RH moderno, burros, sádicos e trapaceiros) vivemos um momento de VEADatização social. Especialmente nos trópicos. Esse mundo está perdido mesmo...

Meu passado me condena

Coluna nova no blog sem nenhuma idéia, ou de idéias repetidas. "Meu passado me condena" é para lembrar daquelas pessoas que possam de "estandarte da boa fé', mas que tem um passado que lembra até mesmo o mais puro sacerdote da igreja católica, o padre Pinto!

Para começar, um homem que é exemplo do jornalista brasileiro. Bonito, inteligente, tá na Globo e sabe até a dança do ventre. Com vocês: Zeca Camargo, a odalisca do Fantástico!

Aforismos sem juízo

Mais um exemplo clássico de poquet-sabedoria (sabedoria em pequenas amostras):

"Não sou puxador de samba, sou intérprete. Puxador é quem fuma maconha ou rouba carro"
(Jamelão, um dos maiores cadáveres do samba carioca)

Monday, June 23, 2008

Euro 2008: semifinais sangrentas


Os deuses do futebol estão mesmo de brincadeira. O resultado dos times classificados para as semifinais da Euro 2008 é prova de que o crime, o genocídio de estado e a lavagem de dinheiro realmente compensam e um dia são valorizados. Entre os países classificados para a próxima fase, Rússia, Turquia, Espanha e Alemanha, nenhum tem a ficha limpa. O mais fraco deles matou pelo menos um milhão de armênios ou apóia operações armadas em territórios alheios. Vejamos a ficha corrida de cada um dos países classificados:

- Rússia: acostumados a matar espiões da KGB envenenados, os russos são conhecidos pela lavagem de dinheiro em times menores fora do país. Vide o caso de Kia, Bóris Berezovsky e Sport Club Corinthians Paulista. Outro magnata russo dono do petróleo conhecido pela lavagem de dinheiro no futebol é Roman Abramovich, dono do clube inglês Chelsea. Duas figuras gente boa para convidar para um almoço em casa. Os russos tiveram envolvidos em 101 das últimas cem guerras que se tem notícia no mundo. Além de contarem com um saldo de 20 milhões de bolcheviques mortos durante os últimos cem anos. Símbolos: Lenis, Stalin e Vladimir Putin.

- Alemanha: conhecidos desde meados de 1930 como arianos de pura linhagem, os alemães se consideram a fina flor da Europa. Arrogantes e temperamentais, falam truncado num dialeto inteligível. Nos últimos cem anos foram responsáveis pelo genocídio de pelo menos 6 milhões de judeus e o extermínio de ao menos 20 milhões de soviéticos em confronto. Símbolo: suástica

- Espanha: nação “caliente” e mentirosa. Posam de moços de família e amigos para abocanhar estatais em países periféricos que outrora exploravam em forma de colônias. Vide a quantidade de empresas espanholas que se apoderaram de estatais no América do Sul. Países como Brasil, Guatemala, Argentina e Peru são praticamente a Rua 25 de Março de empresas como Telefonica, Santander e Planeta, entre outras. Os espanhóis também são conhecidos por humilharem seus colonos nos aeroportos madrilenos, chamando brasileiras de putas e mandando todo mundo de volta pra casa. Franco e Pizarro são símbolos espanhóis e ajudaram a exterminar pelo menos 500 mil conterrâneos durante a guerra civil deles, que foi considerada uma prévia da II Guerra Mundial, além de massacrarem outros tantos milhões de índios e africanos. Só gente boa!

- Turquia: esse é um dos países mais tranqüilos dos quatro concorrentes. Mataram apenas 1,5 milhões de armênios. Mas quem liga para os armênios, alguém sabe onde fica esse país? Até hoje um armênio puxa a espingarda se for chamado de turco. É a maior ofensa que alguém pode fazer a eles. Além do hobby de matar os visinhos inexpressíveis, os turcos adoram uma incursão militar em território alheio. Falou em tiro de fuzil e guerra, os caras nem pensam duas vezes. Acham que jogam futebol, mas na verdade tratam a coisa no tiro.

Acho que é isso. Histórico feito e ficha corrida exposta, quero ver quem terá a coragem de escolher um desses times para torcer durante as finais da Eurocopa 2008?! Prepare-se para assistir ao duelo dos gladiadores.

Sunday, June 22, 2008

Aberta temporada de Bernard Shaw

Vez ou outra o teatro paulistano tem mania de fazer várias montagens de um mesmo autor até as pessoas se cansarem. Depois das várias repetições de Nelson Rodrigues em cartaz na cidade (destaque para Senhora dos Afogados, que em seis meses teve ao menos quatro montagens em cartaz), chegou a hora e a vez dos ingleses. Quem se lembra das várias repetições de Ricardo III no ano passado? Não bastasse isso, agora temos vários Hamlets que estrearam na última semana. Três de uma única vez!

Agora também está aberta a temporada de Bernard Shaw. Não que o sarcástico mestre do teatro moderno inglês desmereça tantas homenagens, assim como nosso polêmico “Nelsão”, e mesmo com Shakespeare. Mas as companhias de teatro de São Paulo poderiam esparsar mais suas montagens para evitar comparações desnecessárias e não desgastar a obra do autor. E olha que sequer estamos comemorando efemérides de Shaw, que tem mais de 70 peças publicadas.

Depois do musical My Fair Lady, adaptado da peça Pygmalion, de Shaw, que saiu de cartaz há pouquíssimas semanas, temos agora as montagens de Cândida (1895) e Idiota no País dos Absurdos (1925) em cartaz simultaneamente no circuito paulistano.

Nesse domingo me arrisquei a assistir a montagem do diretor Zé Henrique de Paula (que também dirigiu uma das inúmeras versões de Senhora dos Afogados que estavam por esses palcos recentemente) para a Cândida, uma das mais famosas personagens femininas do dramaturgo inglês. Assim com a tragédia carioca de Nelson, o diretor optou por uma versão clássica do texto de Shaw para os palcos, valorizando a riqueza das descrições da obra e enfatizando toda a crítica ao machismo e a decadência da nobreza londrina.

Foi a primeiro contato que tive com o texto de Cândida e confesso que me surpreendi com a qualidade na escolha dos personagens por parte de Zé Henrique, que valorizou ainda mais sua escolha. Sem invenções mirabolantes ou misturas de sambas e palavrões, como fez Cacá Rosset em A megera domada de Shakespeare, Zé Henrique de Paula conseguiu fazer uma belíssima adaptação para a história da devotada esposa do reverendo Morell (Sergio Mastropasqua). Cândida, vivida por Bia Seidl, se vê numa encruzilhada ao envolver-se pelo amor do jovem poeta Marchbanks (Thiago Carreira) e do marido pastor anglicano socialista, dedicado apenas à causas político-religiosas. O enredo, que a princípio pode parecer com as histórias de Capitu, Madame Bovary ou Luisa, de O Primo Basílio, na verdade é uma ode a auto-afirmação dos princípios feministas e do poder patriarcal, e às vezes assustador e sádico, que a figura feminina pode assumir ao ser dona de suas decisões.

Em síntese, depois de tantas besteiras que escrevi, o lead da história é o seguinte: vá assistir. Preste atenção na atuação de Sérgio Mastrospasqua (Morell) e do pai de Cândida, Sr. Burgess, vivido pelo ator João Bourbonnais. Esses dois fazem um embate sensacional entre Socialismo e Capitalismo, fortemente presente na obra de Shaw. A cenografia da peça e o figurino são muito ricos e caracterizam muito os lares londrinos de 1900, sem cair no rococó e no festival de luzes e entre sai de adereços de outras peças. Quatro estrelas.

Aforismos sem juízo

Para homenagear um dos mais sábios intelectuais da imprensa paulista, o blog sem nenhuma idéia criou uma nova coluna: "Aforismos sem juízo". Toda vez que você ver esse título, certamente terá o melhor do pensamento contemporâneo que ajudar-lhe-á na superação de todas as agruras e arrufos do mundo moderno. Para os mais pops, essa é a nova marca da poquet-sabedoria (sabedoria em pequenas amostras frasais):

"O futuro do Brasil esta em suas mãos!"
(frase encontrada no mictório do Espaço Unibanco de Cinema)

Um dia de chiqueirinho...

Jornalista não é uma profissão fácil. Quando se pensa que já cometeu as maiores canalhices da sua vida, certamente você se deparará com alguma situação ainda pior. Pois é, comigo não foi diferente. Depois de assinar reportagens a favor da Igreja Universal e do bispo Marcelo Crivela, trabalhar para a família Mesquita e estudar na Cásper Líbero, fui obrigado a pedir carona para a Rota. É isso mesmo, aquela mesma Rota do livro de Caco Barcellos, do Rambo matador de inocentes e tal. Acredite se quiser!

O causo se deu na última quinta-feira, em São Matheus, fundão da Zona Leste de São Paulo. Os policiais haviam descoberto um laboratório de refino de cocaína. Era tanta droga junta que eu achava que estava num filme do Tarantino, de tão escabrosa que era a situação. Pois bem, eram 2:30 da manhã e a maldita motorista não chegava para nos pegar. A perícia foi embora e os policiais que descobriram a droga precisavam deixar o local e levar a droga para o DP e para o IC. Acontece que o repórter aqui não podia ficar para traz sozinho. O lugar era escuro, longe e estremamente violento. Qual a solução mais obvia? Pedir carona aos policias, que muito solícitos não pestanejaram: “Tudo bem, mas você vai no chiqueirinho!”
Para os desavisados, “chiqueirinho” num carro de polícia é onde eles colocam os presos.

Certamente você já viu muita gente sendo empurrada pra dentro da viatura, sendo humilhada e xingada pela população enquanto divide o porta malas da viatura com mais três pessoas. Mas aposto que você nunca pensou que uma pessoa tão bonita e descente como eu passaria por isso, né... E lá fomos nós, eu e os 87 quilos de cocaína dividindo o mesmo espaço.

Claro que não preciso dizer que cheirei cocaína nesse dia, né? A cada curva que a viatura dava, a droga vinha toda para o meu lado. Foi uma briga com toda aquele pó branco que nem o mais desesperado usuário pensou em ter na vida. Cheguei na delegacia todo branco, com dor de cabeça e pensando: “Puxa vida, eu poderia ter sido médico ou dentista. Salvo se tivesse esquartejado a amante, jamais teria que passar por isso na vida!”. Parece história de pescador, mas aconteceu comigo! Enquanto muitas moças brigam para ter "um dia de princesa", eu choro por ter tido um dia de chiqueirinho.

Sunday, June 15, 2008

O pior blog do mundo

Sabe, quando resolvemos criar esse blog tínhamos apenas uma dúvida em mente: como fazer um blog que seja melhor que o do Favre? Pois é, passados mais quinze dias do nascimento do rebento, um amigo me mandou a seguinte mensagem: "Nossa, você conseguiu ser melhor que o Favre!".

Embora a frase tenha sido dita em tom de deboche, nossos diretores acharam que era o momento de comemorar. Afinal, com menos de quinze dias conseguimos superar um dos maiores portais de bobagens do país. Dessa forma, fica aqui o registro de que esse blog não é o pior do mundo e está a anos luz à frente daquele que, além de ter o pior blog da blogosfera, é conhecido apenas como marido de Marta Suplicy! Nosso próximo passo é superar o Blog do Noblat! Pra frente, Brasil!

Pra rir e debochar: http://blogdofavre.ig.com.br/

Friday, June 13, 2008

Saudades


Foi por um site de notícias que recebi a notícia. Jamais tinha passado por uma situação como aquela. Até então não tinha perdido uma pessoa tão próxima, um parente, um vizinho, um amigo mais chegado. Mas naquele dia 14 de outubro de 2005 ela chegou. Meu amigo acabara de morrer com uma facada dentro da Rádio USP. No momento que li o nome dele no IG a primeira reação foi de conferir o sobrenome. Fui até o último email que trocamos e lá estava: “Rafael Azevedo Fortes Alves”. Como agora, ao escrever sobre isso, as lágrimas chegaram e um filme de vários momentos juntos passou pela cabeça. Que pena, que dor.

Conheci o Rafa, ou Carioca, como chamávamos, na Oboré, durante um curso para jornalistas iniciantes. Era aniversário de São Paulo e tínhamos a pretensão de publicar um livro com 450 histórias da cidade. O livro não vingou, mas a amizade sim. Após vários dias sem coragem de ler a reportagem do Lira Neto sobre o assassinato de Rafael, hoje resolvi enfrentar a dor e a emoção. Foi o jeito de relembrar os velhos tempos, amigão. Tomara que o lugar que você esteja seja melhor que o nosso. Um mundo mais justo para todos nós, amigão. Saudades...

Reportagem do Lira Neto: “Vá com Deus, Rafa”

Chamem o Gasparetto!

O que é a burocracia, né mesmo? Dia desses o diretor teatral José Henrique teve o processo de incentivos negado pela Funarte. A intenção dele era captar recursos pela Lei Rouanet para o espetáculo O Processo. Entretanto, o camarada do Ministério da Cultura que analisou o processo disse que faltava a assinatura do autor do texto, um tal de Franz Kafka. Alguém já ouviu falar? Pelo que me disseram, esse maluco tcheco morreu em 1924. Confere?

Imediatamente nosso ministro-cantor, Gilberto Gil, iniciou conversas para contratar o apresentador Luiz Gasparetto, aquele da Rede TV! que recebe entidades do além durante o programa, para dar conta dos processos como esse que tramitam na casa. Será que agora a coisa anda?

A volta dos galinhas-verdes

Lembra dos Integralistas, aquele grupo de nazi-fascistas liderados por Plínio Salgado? Pois é, lamentavelmente eles estão de volta. Já tinha reparado que nas ruas ao redor da PUC-SP havia vários cartazes com o sigma “E” invertido. Era uma das marcas do movimento. Aliás, vi cartazes iguais na Av. Dr. Arnaldo e nas proximidades da Av. Paulista. Para o meu espanto, recebi um texto desse grupo sobre a “Parada gay”. O que eles dizem é assustador! No final do manifesto, que está abaixo no link, eles convocam “os companheiros” para a luta. E é nessa parte que eu queria chegar!

A última vez que esse grupo de idiotas lutou de verdade foi em 1934, data que ficou marcada como “A Revoada dos Galinhas-Verdes”. Para quem não sabe, “galinhas verdes” era o apelidado da trupe liderada por Plínio Salgado. Em 07 de outubro daquele ano os tontos resolveram convocar um confronto armado contra os anarquistas e comunistas da Frente Única Antifascista. Era FUA versus Ação Integralista. O nome “Revoada dos galinhas-verdes” foi por conta da retirada dos “homens” de uniforme verde de Salgado. Eles corriam pelas ruas amedrontados feito galinha em tempo de abate, com medo dos comunistas. Um sarro! A história também ficou conhecida como “Batalha da Praça da Sé”. Mas vamos usar o nome pejorativo que é mais engraçado, né?

Depois de tamanha vergonha os caras tem coragem de convocar alguém para o combate? Ah, qualé?!

O link: http://www.integralismorio.org/auriverde/arquivo/2008/300508.htm

Lições de etiqueta 2

Mais uma lição do nosso "Dicionário de etiquetas: coisas que você não deve fazer na vida humana, menos ainda na vida animal". O verbete de hoje é: jamais pague o mico de aparecer em um canal de televisão bêbado, falando de sexo e pedindo namorado bom de cama. Que o diga a amiga, leitora e sociality Narcisa Tamborindeguy.

A moça tem até um site onde concentra toda sua pagação de mico dos últimos tempos. O sítio tem entrevistas emocionantes com Bruno Chateaubriand e Capitão Guimarães, presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Ou seja, a mulher é uma pagadora de mico utópica e multimídia. Dá vexame na tv, em revistas e no próprio site! Tô até pensando em mudar essa lição para "jamais seja como Narcisa Tamborindeguy.

Pra encerrar, uma frase da moça que é exemplo de sabedoria: "A propaganda em si tem que ser muito boa para me atrair". Sacou a filosofia?

Para conhecer mais sobre a personagem: http://www.narcisa.com.br/entrevistas.html


Wednesday, June 11, 2008

Yes, nós temos universitários

E por falar em universitários, uma galera da USP também resolveu criar o seu "Matrix de baixo orçamento". A versão é bem legal e mostra o talento dessa gente que fica o dia todo na faculdade tendo idéia de jerico. Algumas são boas, como essa aqui:

Homem aranha italiano

Pra quem gosta de bizarrices, vai aí uma indicação de Youtube sensacional. É uma versão italiana para o clássico "Spiderman" que foi parar na rede e tá fazendo o maior sucesso. O protagonista é um gorducho sem noção criado por universitários da Flinders University, da Austrália. Engraçadíssimo!