Wednesday, October 29, 2008

A Turma do Limoeiro

Essa é muito boa. Um grupo de atores cariocas acostumados a parodiar personagens cotidianos agora resolveu sacanear os heróis da "Turma da Mônica". Aproveitando a evolução dos quadrinhos feita por Maurício de Sousa, onde os personagens aparecem adolescentes em estilo mangá, esses malucos resolveram dar vida aos quadrinhos. Mas é claro que ia rolar uma sacanagem das grossas, né? A Magali aparece como bulímica, o Chico Bento como maconheiro e o Cascão é um negão muito do safado. O Cebolinha continua falando errado, mas fica puto da vida quando chamam ele do nome verdadeiro. O Franginha virou um taradão que só pensa em transar e a Mônica uma gostosa homofóbica. Vale a pena assistir, "A turma do Limoeiro" é uma referência ao bairro da turminha no HQ. Muito legal!

Friday, October 24, 2008

O fim do "tanga mínima"

Na política tem um ditado que diz que "apoio é uma coisa que não se recusa". Tipo copo d'água ou aumento de salário, saca? Pois bem, embora a "onda Gabeira" tenha dominado a classe média carioca, principalmente a artística e praiana, (arrisco a dizer que a classe média paulistana também está "alvoroçada" pelo homem), já dou como certa a derrota do "tanga mínima" nas eleições municipais do Rio.

Eu explico. Nos últimos dias o candidato-terrorista, com o perdão do adjetivo, mas aprendemos em São Paulo que o passado não pode se negar, anda recebendo apoio de um blogueiro pouco conhecido por acertar previsões ou mesmo ajudar em candidaturas.

Gabeira deve ter comemorado, afinal, cansou de condenar durante tantos anos "a imprensa marrom e sem moral". Mas o candidato-tragador, perdão de novo, devia saber que no primeiro turno o mesmo blogueiro fez campanha para Manuela D'ávila em Porto Alegre. Deu no que deu. A moça, embora gostosa, perdeu a vaga para Maria do Rosário.

Deixo claro que Gabeira seria o meu candidato, caso eu usasse o "X" no lugar do "S". Lamentavelmente o apoio do tal blogueiro não traz bons fluidos para a campanha do ex-sequestrador (sorry). É o começo da "derrocada" de Gabeira e o fim do projeto "tanga mínima" nas praias cariocas. A lamentar...

Sunday, October 19, 2008

Noções de futebol I

Eleição é uma época que deveriam me amarrar. Como em final de campeonato, sou o torcedor mais roxo que um time pode ter, chegando a beirar a irracionalidade dos torcedores de várzea. É tempos em que deveriam me impedir de escrever e falar. Tempos em que não leio jornal para não me chatear. Tempos que detesto todos os "monstros" da crônica política-esportista. Nunca escondi minha preferência pelo vermelho e branco e a minha fúria contra o alviverde pefelê.

Numa época de apartidarismo, acho importante expor opinião e marcar território. Entretanto, as coisas estão saindo um pouco do limite. Nos últimos dias me envolvi em discussões típicas de clássicos como São Paulo e Palmeiras, para falar apenas de times da primeira divisão. Justifiquei carrinho por trás, cotoveladas, socos e pontapés no juiz. Vale tudo pelo título nas urnas, afinal, como futebol, política é coisa pra "macho".

Pesquisa pra mim é como clássico perdido no domingo. Na segunda-feira não aguento olhar para a cara dos colegas de firma. Coitados daqueles que são mais próximos. Minha mãe e namorada que o digam. Patadas e gritos são o mínimo... Tudo isso porque acho que tenho o time mais preparado, a equipe mais entrosada e a maior sensibilidade para pensar nos pobres.

Meu time é mais digno e, qualquer que seja o argumento, é o que mais fez por essa cidade. Ok, assim como o Muricy, a líder da equipe não é simpática, nem faz questão de tratar bem os jornalistas. Porém, somos o atual campeão brasileiro, temos a presidência, e sempre lutamos pelo título. Assim como no Brasileirão, minha equipe parece morta mas a qualquer momento pode faturar o tricampeonato. A equipe azul-amarela, está confiante com o título em 2010, mas, por hora, temo que a centroavante com pose de diretora de escola fature no returno. Ufanismo de torcedor? Pode ser. Mas futebol, digo, a política, é uma "caixinha de surpresas".

Com o fim do "Paulistano", hora de juntar os cacos e rediscutir as ambições da equipe para o nacional. Como tropeços são comuns em biografias de times, ora de chamar a direção do "clube" e renovar o elenco. Como disse uma artista plástica na Folha, "Por pior que seja o governo do PT, ainda é o melhor para os pobres". Avante nação vermelha. Nossa onça ainda voltará a beber água!

(((Me internem por favor!!)))

Thursday, October 16, 2008

O governador está nu


O confronto entre policiais civis e militares no Morumbi nesta quinta-feira, 16, foi o ponto alto da política do governo José Serra. Intransigência sempre foi a marca desse político soturno, com cara de mordomo de filme de terror e jeitão de ator canastrão dos anos 60. Na época da campanha de Geraldo Alckmin os “asponis”, aqueles que surgem de todos os lados e acham que sabem de tudo, viviam dizendo que Serra não funciona sob pressão e jamais entraria na campanha se a imprensa e os líderes políticos ficassem pressionando-o. “Ele é durão”, “ele é turrão”, entre outros “ãos” que diziam sobre o ilustríssimo.

Pois bem, com os policiais civis de São Paulo foi a mesma coisa. Há um mês em greve, eles tentam negociar melhores condições de trabalho com a cúpula da Secretaria de Segurança Pública e não tiveram resultados minimamente satisfatórios. Pior, há pelo menos duas semanas a SSP se recusa a prosseguir as discussões, sob a tutela e orientação do magnanimo.

Acontece que um movimento grevista não recua até ambas as partes sedam e um acordo seja referendado. Qualquer greve com paralisação é assim. Qualquer greve normal se faz com protesto e panelada na porta das sedes de governo. É assim na Europa, na Ásia ou até nos rincões da América do Sul.

Mas em São Paulo é diferente. Chegar até a porta do Palácio dos Bandeirantes é uma dádiva para qualquer sindicalista minimamente acostumado com piquetes e confusão em porta de fábrica. A sede do governo paulista é a sinagoga onde qualquer manifestação que não seja de unção do santo governo é tida como ameaça, a ser repelida a todo custo.

Entretanto, a greve dos policiais civis não é uma paralisação comum. É a greve de policiais que andam armados, independente de estarem ou não em serviço. É a greve dos caras que são alvos do PCC e que constantemente são tocaiados em vielas pela periferia da cidade. Gente que dorme com a arma embaixo do travesseiro e desconfia até do filho recém-nascido.

Ora, povo meu. O governador e a PM não sabiam que ali estavam dois mil homens francamente armados e potencialmente explosivos?

Ora, caros, dar tratamento de sindicalista para uma turba armada até os dentes é assinar atestado de idiotice! Os policiais civis e militares são rivais naturalmente, independente de greve ou não. Quando estava no programa "Força Tarefa", presenciei esse “ódio” várias vezes, de ambos os lados. Militares que acabavam com investigações civis de semana, ou civis que queriam levar os méritos da “cana” dos militares.

Em sua síntese, as duas maiores forças policiais do país são diferentes. Os militares são organizados, obedecem a hierarquia acima de qualquer coisa, cumprem horário religiosamente e andam de uniforme feito garis. Os civis são iguais aos primos malandros que todo mundo tem. Andam desalinhados, chamam o chefe de "mano" e raramente cumprem horário. Usam a viatura para fins pessoais e tomam café na padaria sem pagar. Um tem inveja do outro. O primo engomadinho quer ser descolado, o descolado quer ser inteligente e ter as oportunidades de crescimento do riquinho. Nessa pegada, colocar as duas forças frente a frente é a mesma coisa que dizer para dois irmãos que eles terão que disputar a mesada no tapa.

Antes do fim da frase os dois já estão rolando no chão.

Dito isso, o confronto entre as duas ordens policiais de São Paulo foi um erro colossal do governo Serra que poderia ter custado dezenas de vidas. Quem viu imagens e fotos soube que os policiais civis estavam armados até os dentes. Soube também que uma tragédia maior não aconteceu por puro “equilíbrio” daqueles que seguravam as armas.

O governador correu a colocar a culpa do PT e nos sindicatos, como é de sua personalidade sempre que a coisa aperta. Mas o que aconteceu nessa quinta-feira é reflexo de uma política irracional praticada pelo Palácio dos Bandeirantes desde a época de Mário Covas. O episódio serviu para arreganhar as entranhas da intransigência maléfica do governo do PSDB em praça pública.

Não sei se reverterá em votos para Marta Suplicy ou ao PT, mas pelo menos serve de alerta para essa gente idiota de São Paulo. A verdade não é exclusividade da turba tucana.

Monday, October 13, 2008

Prefeita ou prefeito?


Demorou, mas aconteceu! Finalmente a sexualidade do atual prefeito de São Paulo ganha o grande público e começa a ser discutida nos bares da Vila Ré (com o perdão da citação ao amigo Gabriel). Relevante ou não, fato é que em qualquer país civilizado a sexualidade do prefeito seria discutida de forma madura, sem a dualidade da imprensa chapa-branca num momento de disputa de poder. Claro que em São Paulo não poderia ser assim.


Ora, a mídia está descendo o pau na campanha de Marta Suplicy porque ela é petista! Se fosse o contrário, a Marta fosse a lésbica e o Kassab o garanhão traidor de mulheres, a coisa mudaria de figura. Não quero aqui justificar o erro da campanha petista. Fato é que há tempos a imprensa sabe da homossexualidade do prefeito, que até então ficou restrita às piadas de corredores de redação ou mesas de bar, mas nada diz ou mesmo insinua. A campanha e a cobertura da mídia só tem me chateado. Mais ainda o conservadorismo dos paulistanos. Torço para que essa angústia acabe logo. Torço, aliás, para que os paulistanos evoluam.

Na campanha passada, tucanos e demônios se encarregaram de espalhar que a ex-sexóloga traía o senador Suplicy. Fato que ninguém divulgou é que o relacionamento entre os dois era "aberto". Isso na prática quer dizer o seguinte: Suplicy sabia dos chifres e gostava. Acusaram a mulher de tudo. Com a "tia" Erundina a mesma coisa. Por que não falar da sexualidade do atual prefeito? Aproveito e contesto a sexualidade do Quércia e do Tasso Jereissati. Será que são gays? Não importa. Se saem com outros homens ou não, isso não lhes tira a pecha de corrupto para um e coronel para outro. Tira a credibilidade dos veículos, que ao mero sinal de comprometimento do candidato da vez, correm para socorrê-lo em troca de polpudas verbas.

O mundo não acabou?!


Parece que o tão aclamado fim do mundo entrou em recesso parlamentar. Confirmados os últimos números sobre a Economia, volto a escrever nesse espaço com a certeza que o Apocalipse não voltará a nos rondar até o pagar das luzes de 2008. Por enquanto, fica aí as recomendações de tempos sombrios, com Zeca Pagodinho abdicando da vocação habitual.

Wednesday, September 24, 2008

Minha versão para o fim do mundo

Amigo leitor, menina leitora.

Se você está lendo esse post é sinal que o mundo não acabou. E se acabou, é sinal que pelo menos esse blog e você sobreviveram. Como sei que, num possível fim do mundo, a última coisa que um sobrevivente leria é esse blog, fico feliz que estejamos todos vivos!

Se não estivermos vivos é sinal que você já está no ano de 3090, pesquisando a história trágica da economia capitalista que dizimou a vida no planeta Terra. Nesse caso, as próximas linhas interessam muito a você.

A vida no planeta Terra terminou em 2008. A última lembrança que tenho é que estava de casa nova e, umas semanas antes, tinha recebido os amigos para uma saborosa moelada (na nossa época, moela era um alimento muito em voga em bares das regiões tropicais do planeta. A moela vinha de um animal de nome galinha, usado para alimentar a população de países subdesenvolvidos. Era barata e gostosa. Muitas mulheres também recebiam o apelido de “galinhas” nessa época. Deve ser pelo mesmo motivo).

Comecei a desconfiar que o mundo estava próximo do fim um ano antes, quando o Ricardo Teixeira, presidente da CBF, chamou o Dunga para ser técnico da seleção brasileira. Alguns amigos me contestaram e até me chamaram de catastrófico e preconceituoso, só porque o novo treinador tinha nome de personagem de desenho animado – e, pior, justo um personagem que era meio retardado e mudo.

As evidências continuaram. Na mesma época, a China resolveu abrir as portas para o mundo ocidental e sediou uma edição dos Jogos Olímpicos.

Desse episódio só me lembro que uma porção de gente sem perna e sem braço faturou uma baciada de medalhas de ouro para o Brasil. A princípio, pensei que já era efeito da marola do fim do mundo. Minha mãe sempre dizia que o mundo acabaria com as pessoas derretendo como areia. “Deus sopraria sobre a Terra e os homens dissolveriam como areia!”, proclamava a mamãe. Era tipo no filme do “Homem Aranha 3”, saca?

Pois, é. A mamãe repetia apenas o que o pastor dizia na igreja. “Para quem quiser se proteger, tem que comprar uma roupa blindada na minha mão!”, proclamava o pastor, que também era dono de emissora de televisão.

Com tantos pernetas ganhando medalha, logo pensei: “Xi, começou o Apocalipse!”

Pouquíssimo dias após os Jogos Paraolímpicos (não, não, não é uma competição de bocha, aquele esporte praticado por velhinhos que já não conseguem mais andar), a imprensa começou a dizer que uma tal de LHC provocaria o fim do mundo.

Pasme: a tal engenhoca foi bolada por um sindicato de físicos lunáticos. Todos os membros eram discípulos do professor Pardal, personagem conhecido da nossa época, que ganhou notoriedade pelo mesmo criador do Dunga, um tal de Walt Disney. Pois bem, esses engenhosos senhores eram financiados por vários “Tios-Patinhas” da União Européia, que, ao contrário da “Liga da Justiça”, tinha o Nicolas Sarkozy como protagonista. A única semelhança com os heróis dos quadrinhos é que tinha a Carla Bruni, que era conhecida como a “Mulher-Maravilha”.

Bons tempos! Tempos que comer a estagiária era sinal de status e garantia a reeleição.

Bom, os discípulos do prof° Pardal queriam achar uma partícula chamada de “bóson de Higgs”. Eles diziam que o tal “bóson” era o segredo da vida e de todas as coisas da Terra. Mas o engraçado é que, anos antes, um tal de Chico Anísio – que não era físico nem nada, já tinha achado um tal de “Bozó”.

Não falei nada na época, porque o sindicato dos físicos fez um grande consórcio, como aquele do Banco Panamericano, para pagar a tal da máquina de 27 km, chamada de "Grande Colisor de Hádrons". Todo mundo dizia que era o ‘princípio do fim do mundo’, mas os sindicalistas diziam que não. Que eram altamente capacitados e que tudo era uma grande bobagem...

Só comecei ter mesmo certeza do fim quando descobri que tinha brasileiros entre os sindicalistas, candidatos a “todo-poderosos”. O Chico Buarque, grande cantor da nossa época e comedor de mulheres casadas, sugeriu uma vez a criação do Ministério do “Vai dar Merda”. O Lula, que era o nosso presidente e, coincidentemente, também foi 'sindicalista', não ouviu. Mas na hora lembrei: “Vai dar merda!”. Bingo.

A máquina enguiçou e todos pensaram que o mundo teria uma sobrevida. Entretanto, no dia seguinte, os jornais anunciavam o “Crash da Wall Street”, por conta de meia dúzia de bancos que tinham nome de cafeteria ou lanchonete fast-food: Fannie Mae, Freddie Mac e Lehman Brothers.


Na mesma época, um negão e um deficiente físico brigavam para ver quem ganhava o direito de fornicar com a estagiária no Salão Oval da Casa Branca. Casa, aliás, que era habitada até então por um cowboy canalha, que só queria saber de 'Batalha Naval' e deixou os banqueiros brincarem de mão invisível sem a supervisão de um adulto.

Daí, deu no que deu: o governo americano teve que criar o PROER yanque, para salvar bancos, mas sem a presença do Salvatore Cacciola e seu best-seller “Eu, Alberto Cacciola Confesso”. Ambos estavam presos em Bangu 8.

No início, fiquei com medo do negão ganhar aquelas eleições. Nesse tempo, todo negão tinha fama de “cagar na entrada ou na saída”, o que era de um preconceito medonho! Mas quem acabou cagando na saída foi o cowboy, que deixou um abacaxi que o deficiente e o negão não conseguiriam descascar.

No mesmo período, o Corinthians acabara de subir para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro e o presidente do clube anunciou pela trigésima vez: “Vamos ganhar a Libertadores no próximo ano!”.

Não tiveram tempo, pois um ex-governador de Pindamonhangaba assumiu o poder e transformou as transmissões futebolísticas em eventos da 'Canção Nova'. Na ocasião, os petistas saíram pelas ruas pelados, todos gritando que era o “fim do Neoliberalismo”, deixando o PSTU sem plataforma de militância e a Heloisa Helena vociferando contra o "balcão de negócios sujos" da bolsa de Nova Iorque.

Ao mesmo tempo, Fernando Henrique Cardoso, o pai do "real", foi internado num manicômio. Ele só repetia a frase “Esqueçam tudo o que eu escrevi, esqueçam todas as estatais que vendi”.

Houve uma síndrome de suicídio coletivo onde o negão, o deficiente, o cowboy e o presidente do Corinthians entraram na onda. A última lembrança que tenho é da máquina do “fim do mundo” ter voltado a funcionar, graças a um estudante de física da Unip. Foi justamente no momento em que eu terminava de escrever esta car... gvbhiasdb ´pç 8pás bvgf

Monday, September 22, 2008

GÊ-NI-O


Esse blog está em crise. Crise de identidade política. Depois de declarar apoio aberto àquela que, quem sabe, será a nova prefeita e, logo em seguida, engraçar-se com os tucanos da direita - cavando juízo e ética dentro de um furacão jamais visto no ninho das aves de bico grande, tenho que me render aos fatos: Maluf é gênio!

Muito mais que um candidato, Paulo Salim Maluf é um mito que jamais será superado.

A ficha é extensa: Ele roubou e disse que não. Assinou e negou. Tem conta em paraísos fiscais, mas diz que não. Não obstante, disse que sim: "Rouba mas faz". E mais: logo em seguida lançou livro desdizendo tudo que já desdissera antes.

Com tanto diz-não-diz, confunde a cabeça de todos e é o único político desse país capaz de enfrentar a trupe do "CQC" e do "Pânico" de igual para igual. Sem se intimidar. Sem titubear e perder o bom humor durante as piadas de duplo sentido. Faz chacota com o que desdisse e quer que provem que disse! E a tal da "freeway", com doze novas faixas sob o rio Tietê?

Incrível...

Mas gênio que é gênio sempre tem alguma nova genialidade na cartola. Em pleno "Dia mundial sem carro", enquanto todos os candidatos à Prefeitura de São Paulo debatem as soluções para o trânsito e andam de ônibus, Paulo Salim Maluf faz o que se espera de um exemplar único da raça: vai para a rua fazer CARREATA.

"Hoje é o dia internacional para deixar o automóvel em casa. Entretanto, a prática nos mostra que o automóvel é um instrumento de trabalho. Então cabe aos prefeitos terem coragem de fazer as obras de trânsito e transporte coletivo para que a cidade volte a funcionar sem os 80 km de congestionamento que tivemos hoje de amanhã", disse Maluf ao portal Terra.

Com toda moral e qualidades éticas que fazem desse homem o que ele é, o próprio desafia os adversários e aponta o dedo na ferida dos mesmos (que agem errado, logicamente!):

"Eles andam (de ônibus) hoje, quero ver se vão sair amanhã. Isso é um teatro(...) Acho que eleição não pode ser uma olimpíada em que ganha medalhada de ouro quem mente mais. Não pode mentir, só pode prometer fazer quem já fez, e a população de São Paulo sabe que eu fiz", finaliza o gênio.

Com tantas evidências, meus caros, é elementar: ELE É O CARA, ELE É O CARA, ELE É O CARA!!


Quanto vale o show?

Painel da Folha - 22/09/2008

Madonna.
Custa US$ 400 o ingresso mais barato para a palestra de Lula hoje no Council of the Americas, centro de estudos em Nova York, abrindo uma semana de debates de líderes sul-americanos.

Desconto.
O evento com o brasileiro é o mais caro. Ver Cristina Kirchner (Argentina) ou Álvaro Uribe (Colômbia) sai por US$ 250. Pechincha é a palestra de Fernando Lugo (Paraguai): US$ 150.

A pergunta que não cala é a seguinte: quanto custaria uma palestra do Evo Morales? E do ilmo. sr. presidente Ronald Venetiaan, do Suriname? De graça, né? Vale pagar com folha de coca ou garimpeiro com malária?

Saturday, September 20, 2008

Gota d’Água – Breviário


Nesta semana me surpreendi com a volta do musical “Gota d’Água – Breviário” ao circuito paulistano. Depois de uma longa, premiada e comentada temporada no teatro Fábrica, a adaptação do jovem Heron Coelho para o texto de Chico Buarque e Paulo Pontes volta à cena no Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, na Zona Oeste.

"Gota d’Água" foi escrita em 1975 e é uma adaptação musical e carioca para a tragédia grega “Medeia”, de Eurípides. Entretanto, mais que uma montagem com canções famosas da discografia buarqueana, o espetáculo dirigido por Heron Coelho e Georgette Fadel é uma das melhores peças do ano passado.

Encenado pela primeira vez em plena ditadura militar, o texto ficou marcado nos anos 70 pela atuação de Bibi Ferreira e Roberto Bonfim, que interpretavam, respectivamente, Joana e Jasão. Hoje o casal central da trama fica a cargo da própria Georgette, que em 2007 ganhou o Prêmio Shell de melhor atriz pela personagem, e do ator Cristiano Tomiossi. Passados mais de trinta anos entre as duas montagens, a tensão entre o casal permanece tão viva e real que chama atenção do público pela energia que transmite. As cenas de confronto entre Joana e Jasão são tão fortes que arrepiam.

Ao entrar no teatro, poucos se dão conta do excelente espetáculo que está por vir. A montagem paulistana é composta por um punhado de cadeiras na boca de cena, rodeadas pelo público, que, ao lado de músicos e atores, formam uma espécie de roda de samba. Os músicos estão trajados com roupas que caracterizam o Rio de Janeiro da gente simples, e revezam com alguns atores a meia-dúzia de instrumentos de percussão que compõem o “musical”.

O “esquenta” do espetáculo começa logo na entrada do público na sala. Ao final da terceira “campainha”, tem-se a impressão que os atores não agüentarão as três horas de espetáculo que seguirão, tamanho a agitação da roda de samba. Puro engano. Mesmo sendo um texto extremamente dramático, a trama é desenvolvida com tanta leveza que ao final dos 140 minutos tem-se a sensação que tudo começara há poucos segundos. Sem saída ou entrada de coxia, a trama se encerra da mesma forma como começa: samba, palmas e empolgação.

Coincidentemente, na época que “Gota d’Água – Breviário” iniciava sua escalada nos palcos da cidade, o diretor Heron Coelho estreava outro texto de Chico Buarque paralelamente. “Calabar”, escrita em parceria com Ruy Guerra, é um elogio à traição do antológico personagem da história brasileira que largou os portugueses para lutar ao lado dos holandeses na disputa pelas terras brasileiras.

Menos dramática e mais caricata, a peça é uma alegoria do patrulhamento intelectual dos militares e foi encenada por Heron no Sesc Paulista. No mesmo formato de arena que “Gota d’Água”, rodeada pelo público, a versão paulistana do texto de Chico e Guerra tinha as mesmas três horas do espetáculo-irmão, mas não o mesmo vigor e leveza.

A diferença entre as duas peças está justamente no elenco. Dias antes de assistir “Gota D’àgua”, vi uma entrevista de Gerogette na TV Cultura, que falava sobre a escolha do elenco. Segundo ela, os atores foram escolhidos pela capacidade de improvisação. Isso talvez tenha sido a diferença entre as duas encenações, deixando o elenco mais solto e trabalhando com a participação do público e os elementos musicais.

Justiça seja feita, claro que “Calabar” foi um belíssimo espetáculo. O simples fato de resgatar um texto há tanto tempo esquecido já é motivo de louvor. Junte-se a isso a genialidade de Guerra e Chico, mais as belíssimas melodias das músicas “Anna de Amsterdã” e “Bárbara”, pronto. O ingresso está pago e a satisfação garantida.

Entretanto, quem quiser ver uma adaptação que certamente marcará a história das peças de Chico deve assistir “Gota D’Água – Breviário”. O espetáculo vai até o dia 27 de Setembro e é muito bom pra alma!

Servição: Núcleo Bartolomeu de Depoimentos
R. Dr. Augusto de Miranda, 786 - Pompéia - Oeste. Telefone: 3803-9396
Quando?: sábados e domingos: 20h

Psiu: Aquela entrevista que falei sobre a Georgette é essa aqui abaixo. É do ano passado, no “Metrópolis”, da Tv Cultura. Vale conferir!



Thursday, September 18, 2008

Poesia a essa hora?

Valha-me Nossa Senhora, / Mãe de Deus de Nazaré!
A vaca mansa dá leite,/ a braba dá quando quer.
A mansa dá sossegada,/ a braba levanta o pé.
Já fui barco, fui navio,/ mas hoje sou escaler.
Já fui menino, fui menino,/ só me falta ser mulher.
Valha-me Nossa Senhora,/ Mãe de Deus de Nazaré.

(Ariano Suassuna, "Auto da Compadecida", pag. 144 e 145)

Monday, September 08, 2008

"Tudo sobre nossas mães" (e irmãos)

Ando meio sem tempo nos últimos dias, mas gostaria de fazer um pequeno comentário sobre o novo filme de Walter Salles, Linha de Passe. Há tempos disse nesse espaço que considero o filme Central do Brasil, do mesmo diretor, um marco do cinema nacional. Pois bem, um aspecto que me chamou atenção no novo filme de Salles é a altíssima capacidade do diretor em reproduzir o dia-a-dia dos tipos sociais brasileiros.

Já em "Central do Brasil” o diretor consegue essa façanha de reproduzir sem caricaturar as figuras brasileiras como Dora (Fernanda Montenegro), velha solitária que quer levar vantagem sob os mais humildes, escrevendo cartas na estação central de trem do Rio de Janeiro. Note que a figura de Dora teria tudo para ser a mau-caráter sem escrúpulos, cuja solidão só aumentou sua porção escura, elevando o pensamento de o que importa mesmo é se dar bem a qualquer custo. Mas não, a porção humana da mulher que quer vender o menino Josué (Vinícius Oliveira) para traficantes de crianças se sobrepõe à fácil maquiavelização da personagem. Mesmo sendo uma mulher desacreditada, aos poucos se arrepende de vender o menino e vê que o vale-tudo da sobrevivência tem limites.

O que dizer então do filme “Abril Despedaçado”(o meu preferido entre todos do diretor)? O conflito de terras e as brigas familiares no sertão do país são tão verossímeis que é impossível conter as lágrimas ao final, quando o menino dá a vida para salvar o irmão que tanto ama.

Em “Linha de Passe”, o novo de Walter Salles, por diversas me vi na pele dos personagens. Cleuza (Sandra Corveloni), a mãe dos quatro meninos, várias vezes me lembrou minha mãe, seja pelo fato de ter cada filho de um pai, seja pelo fato de descontar todo o ódio da preocupação em um de nós. Por diversas vezes apanhamos da minha mãe pelo simples fato de aliviar-lhe a dor que sentiu durante a noite passada em claro, preocupada com o paradeiro do filho. A festa surpresa na casa da família também me recordou as festas na casa de tia Marlene, que até hoje mora na Vila Missionária, na divisa entre São Paulo e Diadema. Coincidência ou não, bem próxima do bairro Cidade Líder, onde foi gravado o filme.

A autenticidade do elenco desse filme é tão grande que, por vezes, nos vemos rindo de situações que acontecem zilhões de vezes por semana na vida de quem não costuma freqüentar as salas de cinema. Lembro de uma entrevista que vi com a atriz Sandra Corveloni logo que ela soube do prêmio de melhor atriz em Cannes. Dizia ela que diversas vezes interrompeu as gravações e desejou não voltar a gravar, tamanha a carga emocional que o elenco utilizou durante a produção. Cleuza não é Sandra, assim como Sandra não é Cleuza. A diferença entre as duas é tão gritante que é possível dar vida independente à personagem, esquecendo que ela é uma atriz. Na verdade, os tipos "Cleuza" estão todos os dias nos ônibus lotados que partem das periferias para as regiões mais nobres e comerciais de São Paulo.

Vinícius Oliveira, o menino Josué de dez anos atrás, em Central do Brasil, hoje vive Dario, prestes a completar 18 anos e que sonha em se profissionalizar como jogador de futebol, única coisa que sabe fazer na vida. Numa das cenas de “Linha de Passe” ele é chamado para jogar bola no condomínio da patroa da mãe. Ali ele experimenta drogas pela primeira vez e, assim como aconteceu comigo, se sente um peixe fora d’água no meio daqueles garotos de classe média e garotas tão belas. Por vezes olhei meus amigos com a pergunta: “o que é que faço aqui?”.

Dênis, o motoboy, poderia ser meu primo, assim como Dario, o crente, meu irmão. Mesmo ao retratar o pastor evangélico, Walter Salles toma o cuidado de não cair no senso comum do aproveitador, que usa a boa-fé da gente humilde.

Coincidência ou não, assim com Sandra Corveloni, que ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes em 2008, lá em 1998, exatamente há dez anos, Fernanda Montenegro ganhava o Urso de Ouro em Berlim por sua atuação em “Central...”, além de ser indicada ao mesmo título na cerimônia do Oscar. Tudo reflexo do genuíno trabalho de Salles.

Ao comentar esse ponto de vista com um amigo, disse a ele que Salles é o Almodóvar brasileiro. Tal qual o diretor espanhol, especialista na reprodução do universo feminino, “Waltinho” (com o perdão da intimidade) é exímio em tratar de nós, brasileiros, sonhadores e sofredores.
Claro que os estilos de filmagens são bem diferentes entre os dois diretores. Almodóvar tem uma narrativa mais pulsante com roteiros e cenas que escandalizam, enquanto Salles é exatamente o oposto. Entretanto, a densidade dos personagens de ambos pulam a tela e, por pouquíssimo, pediriam ao espectador um lugar na poltrona ao lado. Cinco estrelas.

Sunday, September 07, 2008

In memoriam

Faustin von Wolffenbüttel (Fausto Wolff)
(1940-2007)

Saturday, September 06, 2008

Trilha sonora

Todo mundo tem algum sentido mais aguçado. Uns ouvem mais, uns falam aos cotovelos, outros sentem qualquer cheiro há quilômetros de distância. Há aqueles que pensam e raciocinam bastante. Ou ainda os que enxergam muitíssimo. Não por acaso, eu sinto muito. Os bestas já farão cara de idiota e dirão: “hummmm, ele sente... eu sabia!!”. Otário!

A emoção é algo que me domina no campo da fala, do pensamento, da ação ou da escuta. Ela simplesmente passa por cima de tudo, sem pedir licença, sem medir as conseqüências. Por vezes atrapalha. Digo tudo isso para justificar que, mesmo para pensar política, falar sobre ela, agir para ela, a emoção me domina. “Isso acontece com todo mundo”, disse o amigo Quero na semana passada. Pode ser. Mas não atrapalha o raciocínio, Caio!

Bom, feito o narizão de cera, vou entrar no assunto mais prático. Os jingles de campanha. Como fofoca entre jornalistas corre solta, muita gente já sabe das minhas aventuras na campanha eleitoral do Geraldo Alckmin. Pois é, só que muita gente acha que eu sou o marqueteiro da campanha e resolvo todas as questões de natureza estética e criativa da campanha. Cansei de ouvir, “Pô, meu, avisa os caras que x”, “Fala pra eles que y”. Para esses caras digo apenas “menos, bem menos”. Fato é que todo mundo tá achando a campanha de rádio e televisão do PSDB uma bosta. Eu também estou. Mas estou achando todas uma bosta. A falta de criatividade impera na campanha paulista e nem os recursos clássicos foram empregados pelos marqueteiros de campanha até agora. Parece que houve um “apagão criativo” entre todos os marqueteiros. “Como não? A campanha do Kassab está dando um show”, disse ontem um ex-chefe da rádio Eldorado. Isso é o que ele pensa. Parece que ele não anda vendo a mesma campanha eleitoral que eu.

A campanha do Kassab tem muito dinheiro. É a que mais arrecadou na cidade. Eles estavam lá embaixo nas pesquisas e agora se aproximam, de pouco em pouco, do segundo colocado, não por acaso, o candidato que é meu patrão. Ora, a estratégia de campanha dos DEMs foi a de agressão. Eles criaram uma porção de jingles cutucando a Marta e parece que estão ganhando a porção do eleitorado tucano que é anti-petista antes de ser tucana. OK. Válido. O pessoal da GW que assessora a campanha do atual prefeito tem seus méritos, já o importante é sempre arrebanhar votos. Mas você sabe cantar o jingle da campanha do Kassab? Você se emociona com alguma propaganda da Marta? Seus olhos enchem de lágrimas ao ver o programa eleitoral do PSDB ou qualquer outro partido?

Com certeza, caro leitor, a resposta é não. Não porque a campanha eleitoral é fraca. A campanha eleitoral é sofrível do ponto de vista criativo e das emoções. Qualquer campanha de tv tem que marcar, criar uma identidade como marcou a mão com as cinco proposta de FHC ou o Lulalá de 89. Quem por acaso viu a campanha presidencial de 2002 presenciou um show de campanha eleitoral por parte dos marqueteiros petistas e tucanos.

“Ah, mas na campanha presidencial a coisa é mais cara, tem mais dinheiro", você pode argumentar. Pode ser. Mas quem não se lembra da “TV Coração”, do Maluf. O jingle “São Paulo é Paulo, porque Paulo é trabalhador...”? Ou ainda do “Francisco Rossi é trabalhador, Francisco Rossi para São Paulo, sim senhor...”? Pra ir mais longe, que tal o “Varre, Varre, Vassourinha. Varre, varre a bandalheira...”, do Jânio Quadros?

Isso tudo é para exemplificar que uma campanha eleitoral também tem que jogar com a emoção. É fundamental para qualquer candidato ligar sua imagem a uma marca. Claro que o que importa é o projeto de governo, é a história política, entre outros atributos. Mas nessa eleição municipal, todos os candidatos tem os mesmos projetos: metrô, corredores, centros de saúdes, postos... já parou para comparar os projetos? Pois é, eu já e digo: diferem na forma de dizer e chamar os projetos, mudam o rótulo, mas o conteúdo é vago e parecidíssimo.

Por isso, insisto que falta criatividade para os marqueteiros. Aliás, falta criatividade para a vida política do país. Mais tarde quero escrever sobre o que acho do fim da política pós-Lula. Mas isso é para depois. Quero também dizer que todo esse blábláblá que escrevi é sobre o ponto de vista estético da campanha. Nada mais que isso. O político e ideológico não dá pra discutir em poucas linhas como essa. De qualquer forma, vamos agitar aí, marqueteiros. A coisa tá bem feia....

Para terminar, coloco três momentos de campanha eleitorais que são fundamentais: a primeira, da campanha de Lula de 2002. O menino que discursa sob o fundo preto. Me arrepio e os olhos lacrimejam até hoje de ver. É a melhor de todas as propagandas. Equipara-se ao Lulalá, em 89, com todos os artistas reunidos.. Chico Buarque, Gal Costa, José Mayer, Gilberto Gil. Todos dirigidos por Paulo Betti e Paulo José. O último, não menos belo e emocionante, é tucano. Da campanha de José Serra em 2002. Idéia de Nizan Guanaes, mago do marketing político, como Duda Mendonça. Os dois estão afastados das campanhas. Duda menos, porque age pro fora, sob a alcunha do filho, que é marqueteiro da campanha tucana em Salvador (jingle do Imbasahy tem a cara do Duda Mendonça!). De qualquer forma, essa música do Serra é das mais belas e emocionantes em termos de jingle de campanha. Mas a conclusão que tiramos disso tudo é que, no final, jingle não ganha eleição. Só serve para escrever esse monte de besteira.

Vai aí:

LULA 2006 - PROPAGANDA



LULA 89 - JINGLE



SERRA 2002 - JINGLE

Monday, September 01, 2008

"Os desafinados"


No último domingo fui ao cinema para ver o novo filme do diretor Walter Lima Jr., “Os desafinados”. Motivos não me faltavam para ver a produção: Bossa Nova, elenco de estrelas, Rio de Janeiro, Nova York. Pela sinopse do filme pensei que veria uma leitura cinematográfica de “Chega de Saudade”, ótimo de livro Rui Castro sobre a história da Bossa Nova. Me enganei. Ainda bem. Embora o filme faça várias referências a turma de João Gilberto, Tom e Vinícius, “Os desafinados” é o lado dos perdedores, dos anônimos. Como muitos por aí, que não ganharam as páginas de jornais e revistas nesses tempos de efeméride do movimento musical.

A história é a de um grupo de amigos e amantes da música, que sonham em ganhar a América em um momento que a Bossa brasileira é sucesso de público e crítica no Carnegie Hall, em New York, New York. Os músicos até chegam a fazer sucesso, que não passa do trópico do Equador e é ofuscado pelos anos de chumbo.

O diretor Walter Lima Jr recentemente fez relativo sucesso com o filme “O Engenho de Zé Lins do Rego”. Em “Os desafinados” o tom documental também pode ser percebido nas falas de alguns personagens, que tentam explicar o que é e como nasceu a Bossa Nova. Até aí tudo bem. OK. É o mal dos diretores brasileiros. As vezes esse lado histórico-didático nem é tão mal assim, já que toda comunicação de massa vislumbra a massa acrítica também. Principalmente quando tem o dedo da Globo Filmes, como é o caso. De qualquer forma, os erros de Walter Lima estão na horrosa dublagem das cantorias de Cláudia Abreu, que são de assustar e até acho que a voz que aparece durante as apresentações musicais não é da atriz. Outro problema da produção é em relação as idas e vindas cronológicas e as soluções de roteiro dadas para o cruzamento das histórias. A pior delas é o ator Rodrigo Santoro voltando no final da história como gringo, vindo da Europa num inglês sofrível, trazer notícias da mãe morta. Ora, ele nunca tinha estado antes do Rio de Janeiro, como encontraria tão facilmente o bar do Manolo e faria isso justamente numa noite em que todos “Os Desafinados” se reuniram de novo, após trinta anos? Coincidência demais. Como o tom do filme às vezes é metalingüístico, já que há a produção de dois filmes dentro do filme, seria fácil resolver esses imbrólios mais facilmente.

Mas nem só de deslizes e desafinos vive o cinema brasileiro. O filme também tem coisas muito boas. A começar pelo elenco. Ter atores tão homogêneos é algo difícil numa produção, principalmente quando ela mistura atores e cantores na mesma função. Atores que cantam, músicos que interpretam, como é o caso de Jairzinho, aquele do “Balão Mágico”. Ele é um músico de boa qualidade e também mostrou que não desafina (ai meu deus, eu tentei não usar esse trocadilho horrível e idiota de novo) na hora de se lançar frente às câmeras com texto decorado.

Claro que em matéria de interpretação, Rodrigo Santoro, Selton Mello e Cláudia Abreu são os melhores representantes que um diretor pode ter. E eles são perfeitos. Rodrigo Santoro mais ainda. O cara é simplesmente genial! (sem cantar, claro). Me emocionei bastante com “Os Desafinados”. Certamente não será sucesso de público como “Tropa de Elite”, ou “A Grande Família” ou “Se eu fosse você”. Mas o filme de Walter Lima Jr cumpre seu papel de resgate da bossa nova, que não viveu só de sucesso. Viveu também de americanos sugadores de talentos, músicos durangos e muita bebedeira. Vale o ingresso.

Endereço: http://www.osdesafinados.com.br/


O show tem que continuar

Hoje recebi a notícia do suicídio de um velho amigo. É a segunda pessoa essa semana. O terceiro conhecido em uma vida curta. Ambos enforcados. Todos depressivos, calados. Tem uma música do Lobão, “Essa noite não”, que diz;

A cidade enlouquece sonhos tortos
Na verdade nada é o que parece ser
As pessoas enlouquecem calmamente
Viciosamente, sem prazer

Toda vez que recebo notícias assim me sinto extremamente mal e não tenho como não pensar que poderia ser comigo. Os problemas do dia-a-dia, os fantasmas do passado que insistem em não desaparecer acabam conosco. Da minha parte estou cada vez mais sem palavras para dar conta das dores. Cada vez menos vale a pena narrar a dor. Dói. Por isso eu gosto de filmes. Quanto mais triste melhor. Eu vejo, choro e me renovo. A dor dos outros é a nossa dor. No fim, toda dor é dor. Independente de se chamar Rodrigo, Carlos, Júnior, Fernando... Independente de ser ou não mostrada numa tela gigante.

Vamos de música: O show tem que continuar (Fundo de Quintal)

Saturday, August 30, 2008

Thursday, August 21, 2008

Melô da campanha tucana...



El Fuca Vermejo No Mi Atropellará Jamás
MegaRex
Composição: Indisponível
El fuca vermejo no mi atropellará jamás
El fuca vermejo no mi atropellará jamás
El fuca vermejo no mi atropellará jamás
El fuca vermejo no mi atropellará...

En San Januario, en Basco y Olaria
Tomei un saco de mijo nas cuestas, fiquei muy estresado
Los bastardos perderán el jogo, estava desolado
Y al salir del estadio quase fui atropellado

El fuca vermejo no mi atropellará jamás
El fuca vermejo (con el son alto pra caraho)
El fuca vermejo (de onde diablos saliu este carro?)
El fuca vermejo no mi atropellará...

La maquina assassina tentou matar me la noche intera
Otros transeúntes foran perseguidos da mesma manera
En la “Praça De Los Toros”, encontrei-me con Helena
Estava muy bonita porém faltava lhe una pierna

El fuca vermejo no mi atropellará jamás
El fuca vermejo (con el son alto pra caraho)
El fuca vermejo (de onde diablos saliu este carro?)
El fuca vermejo no mi atropellará...

Suspensiones rebajadas e bancos de cuero “Recaro”
Faroles de miha importados y el motor turbinado
Con sus ruedas de mahenesia y él son alto pra caraho
De onde diablos saliu este carro?

Su placa es final ziero, no puede rodar na sexta
Ao menos un día estoy a salvo desta peligrosa biesta

El fuca vermejo no mi atropellará jamás
El fuca vermejo no mi atropellará jamás
El fuca vermejo (con el son alto pra caraho)
El fuca vermejo no mi atropellará...

Tuesday, August 12, 2008

Meu nome é....

Havanir! Na última semana o site da ex-vereadora, deputada estadual, atual e eterna candidata à Câmara Municipal de São Paulo deve ter recebido milhares de visitas. Tanto que aquela musiquinha sensacional foi tirada do ar. Mas o que pouca gente viu foram os projetos que a parlamentar propôs durante os anos que esquentou gabinete na Assembléia Legislativa de São Paulo. São eles:

- Projeto de lei 87 / 2005
Estabelece normas para o tráfego de veículos de tração animal.
(((É isso mesmo, ela quer normatizar o transporte de charrete nas cidades paulistas!!!)))

- Projeto de lei 420 / 2004
Obriga os estabelecimentos que comercializem cigarros e derivados do tabaco a manterem esses produtos em local não visível ao público.

- Projeto de lei 418 / 2004
Obriga a impressão do quadro de vacinas infantis obrigatórias nas embalagens de leite dos tipos "B" e "C" industrializados no Estado.
((( O projeto é honesto, mas ela gasta nosso dinheiro com isso?)))

- Projeto de lei 827 / 2003
Inclui a disciplina "Educação Moral e Cívica no currículo do ensino fundamental e médio das escolas públicas do Estado.
(((O próximo passo é incluir uma disciplina de ensino da bomba atômica!)))

Como podemos deixar tão brilhante parlamentar fora da mordomia do serviço público?
Se não acredita, entre no site:
http://www.havanir36500.can.br/1024/oknavega.htm

Ela

Era janeiro. Sol forte como todo o ano, mas em janeiro a bola de fogo dos céus parecia mais próxima. Mais presente, mais dura e implacável. A menina saíra de casa para trabalhar no velho boteco do seu Nicanor. Menina fogosa, chamava atenção pela morenice e os cabelos negros, tão negros quanto seus olhos, como o presente destino dos seus. O corpo bem torneado, era uma representante clássica da malemolência bahiana, da sensualidade brasileira. Sua bisavó fora índia. Não se sabe ao certo de que tribo. Fato é que, gerações depois, lá estava ela, caminhando rumo ao sacrifício diário de enfrentar bêbados e mal educados que todos os dias enchiam a venda e a paciência da pobre. Ia com prazer, apesar de pouco tolerar aquele monte de homens ao seu pé, implorando por uma noite ou um “cheiro” nos pescoço que fosse.

Fora dito até agora que ela era uma menina. Mas para os dias de hoje, uma moça que passava dos vinte anos já não é mais menina. Mas ela era. Sonhadora, sofredora. Na multidão era mais uma e talvez nem virasse objeto desses escritos. Foi um menino, justamente um menino que a transformara na hora da estrela.

A mãe da menina já estava no segundo casamento. O primeiro foi justamente o que gerara a moça dita. Ela e outros seis irmãos, três homens, três mulheres. O pai, autoritário e machista, batia na mãe em todos os irmãos ao chegar em casa embriagado. Mas quem ligara? Entre os visinhos, a maioria era assim. Pobres, às vezes sem ter ao menos o que comer. D. Maria, a mãe da menina, por diversas vezes chorou em silêncio, implorando à Nossa Sra. de Aparecida que livrasse seus filhos da fome, quando nem farinha restava para dar de comer à turba. Por diversas vezes fora atendida, por outras tantas não. Nessa hora, era colocar a turma para dormir, afim que as crianças esquecessem a fome, entregando-os ao acalento dos querubins. Um dia o marido chegou com a solução definitiva da dor: resolvera dar as filhas para quem quisesse e precisasse dos serviços delas. A atitude não era nova, nem foi tida com estranhamento entre os poucos familiares próximos. Apenas D. Maria lamentou em silêncio. No fundo sabia que só assim as filhas escapariam do destino traçado à família desde que a avó largara os índios. Via que seu destino reproduzia-se também nas filhas, já que também fora dada há uns estranhos antes de tornar-se o que é. Quase nada, é bem verdade. Verdade também que muitas vezes desejava a Deus que em nada se transformasse, para que seus olhos deixassem de ver e sentir muitas das cenas que desejava esquecer.

A irmã mais velha da menina, Guiomar, fora dada para uma sra. muito distinta, cujo pai tinha fama de santo, curandeiro. Fora a única que tivera sorte. Logo se arrumou com o filho mais novo da mulher, que era mais uma entre tantas Marias, e mudou-se para a capital paulista onde teve três filhos. As outras duas irmãs, Marlene e a menina, foram para casas de outras mulheres, que exploravam-nas em serviços domésticos. A menina, por sorte, encontrará emprego também na bodega do Nicanor. De manhã trabalhava na casa da distinta sra, à noite atendia os clientes do lugar. Fora ali que conhecera o homem que ajudaria ela a passar de menina a mulher. Vinte anos depois já não se lembra do nome dele. Até porque, mesmo depois daquela noite, não passaria tão facilmente à condição de mulher. Tornar-se-ia ainda mais menina, ainda mais sonhadora.
Naquele janeiro, a menina arrumava o quarto da mulher que a explorava e deparou-se com um lindo anel de brilhantes. Não tinha muito valor, mas brilhava feito a esperança nos olhos da menina. Logo colocou a jóia no dedo e imaginou-se feliz, casada com o homem que conhecera há poucas semanas na bodega, e cujo coração já havia dado ao distinto caminhoneiro. Lembrou-se da noite que passaram juntos, do amor na boléia do caminhão, em frente a réplica do Cristo Redentor que havia em sua cidade. Cidade, aliás, que tinha no nome algo que remetia à Vitória, ou Conquista. Ou os dois juntos.

A menina estava apaixonada. Mas o jovem que a seduzira há muito não aparecia na bodega. “Viaja por demais”, pensava ela. Logo aparecera outro rapaz, esse mais velho, que vivia no seu pé e era inclusive casado. Um dia resolvera experimentar a carona do moço, que também terminou aos pés do Cristo Redentor. Mas o verdadeiro amor era o caminhoneiro, moço alto, cabelos negros, pele branquinha, branquinha. Olhos grandes e castanhos, sorriso claro e elegante. Jamais esquecera aquele sorriso, aquele cheiro. O brilho do anel remetia ao falar macio oriundo da boca do jovem. Resolvera ficar com o anel, sem avisar a dona, que logo descobriu. Quando questionada, jurou aos pés da santa que jamais faria aquilo. “Jamais panharia nada de ninguém”, confessou cínica.

Mais tarde, a velha achara as coisas da moça o anel. Logo foi até a casa da família reclamar ao pai da atitude da menina. Decidiu que não queria mais a moça em casa, devolvendo-a ao seio familiar. O pai, muito puto da vida, logo saiu pelas ruas da cidade atrás da moça. Gritava aos quatro cantos que “filha minha não é “ladrona””! A irmã mais nova, Eliane, correu ao bar do Nicanor para avisar a irmã que o pai a procurava, bravo. Vários dias se passaram e a moça sequer aparecia em casa, dormia na casa de amigas, arrumava amantes só para ter como e onde passar as noites. Chorava pelo amor que não voltava. Foi nessa época que começava a sentir também que já não estava só. Imaginava em contar a novidade ao moço, em subir na carona de seu caminhão e rumar para bem longe dali.

Dias se passaram e a moça finalmente decidira procurar a irmã mais velha em São Paulo, que acabara de conceber uma menina. Contou à irmã o que aconteceu e que há algumas semanas sentia mudanças no corpo. Sensibilizada, Guiomar pediu à irmã que embarcasse logo a São Paulo, a fim de se tratar dos males. Com a roupa do corpo e o dinheiro que arranjara com Nicanor, lá se vai a moça, com lágrimas nos olhos e esperança de encontrar uma vida melhor bem longe da terra que a vira nascer. Tinha a esperança de encontrar o caminhoneiro amado em São Paulo. Escreveria a ele assim que chegasse na cidade. “Mas como encontrá-lo?”, pensara. “Bom, deixa isso para depois, o importante é fugir de painho, das lembranças tristes e perseguir a felicidade”, desabafou aliviada.

Já em São Paulo, a surpresa: “Esperas um bebê, menina”, disse o médico. Não sabe ao certo o que sentiu, mais sabe que de alguma forma já esperava. Pensou no caminhoneiro, pai da criança. Mandara uma carta à mãe naquele mesmo dia para que achasse Sérgio. Sérgio: era esse o nome do grande amor. Do amor que imaginara compartilhar o resto da vida. Poucos meses antes de nascer o rebento, recebera finalmente resposta da mãe: “O caminhoneiro morreu. Morreu sem conhecer o filho”.

Chorou. Como se nunca tivesse isso feito, chorou. Sentiu um aperto no peito, uma pontada na barriga. Ali já sabia que seu filho nasceria morto. A primeira morte do menino. De tantas outras que ele passaria na vida.